sexta-feira, 22 de julho de 2011

Quero um Ocelot!


Haverá algo mais perfeito do que este animal? Um gato con traços de tigre. Um wildcat. Mas não serão todos os gatos wild?

Quem me conhece sabe a afinidade que tenho com os gatos. Tive 3 na minha vida, cada um com uma história muito própria e que contarei aqui brevemente. Vi o Cats a primeira vez com 15 anos e fiquei absolutamente fascinada com o texto, com a forma como se esgueiravam, apresentavam. Depois disso exigi à minha mãe um gato. Identificava-me com eles, com a sua personalidade. Entendemo-nos bem eu e os felinos. Damos o espaço que precisamos um ao outro e depois temos momentos de endless ternura e ronronar. Somos astutos, calculistas, misteriosos. Somos espiritos livres que gostam de mimo e bem estar. No entanto nunca se sabe o que pode contar de nós ao mesmo tempo que sabe que se pode contar tudo até o inimaginável.

Já disse que gostava de felinos? Gostava de ter um Ocelot, o meu tigre de estimação, qual Jasmine do Alladin. Se calhar já o tenho, só preciso de pegar nele e dizer: Baby, this is home!

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Em Guimarães...



eu nunca acordo com barulho na rua ou ouço carros a passar.

eu não preciso de usar relógio porque os sinos de várias igrejas marcam o compasso da vida.

eu posso assistir a sessões de cinema ao ar livre no centro histórico mais bonito que conheço.

eu sou sempre bem atendida e as pessoas oferecem-se sempre um sorriso quando passo.

eu posso comprar carteiras Chloé e Celine e sapatos YSL e Balenciaga em lojas de comércio de rua.

eu bebo um chá de ervas e como o melhor Jesuíta do mundo por 2€.

eu vibro com o futebol que une uma cidade, grito meio palavrão por minuto e no fim ainda me emociono no estádio.

eu posso visitar o meu Palácio, o meu Castelo, as minhas Muralhas e ler com orgulho a placa que diz "Aqui nasceu Portugal".

eu posso viver numa casa onde animais correm ao ar livre, morangos nascem às centenas e uma floresta de girassóis avista-se da varanda do quarto.

eu posso dar passeios intermináveis na Pousada de Santa Marinha, outrora mosteiro, onde os jardins mais misteriosos do mundo se levantam e onde os meus irmãos se casaram.

eu tenho as vistas mais bonitas do pôr do sol sobre a cidade a partir da minha sala e no entanto consigo estar no centro em 5 minutos.

eu dou longos passeios pelo parque da cidade, pelas ruas estreitas com centenas de anos, pela história de Portugal.

eu posso passar o fim de semana todo de havaianas e bikini, vestir um leve vestido para ir comprar o pão mais estaladiço sem que ninguém olhe para mim de lado mesmo não havendo mar por perto.

eu estou perto pertinho de Espanha, perto pertinho do Porto e mais perto pertinho ainda das pessoas que moram no meu coração.

eu converti-me ao espirito de ser vimaranense, de adorar o D. Afonso.

(Porque nem sempre foi assim e Guimarães conquistou-me. Porque nasci em Guimarães há 27 anos e só agora entendo que nasci no sitio certo. E havendo tanto mas tanto mais para dizer sobre as qualidades da minha cidade apenas me ocorre que:)

"Em Guimarães.... eu sou feliz."

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Para o PP...


Tive vários blogues antes deste. Secretos, sem assinar o meu nome ou mostrar a minha cara. Blogues de duração tão curta quanto o tamanho da minha auto censura. Em 2006 tive uma cadeira chamada Produção de Conteúdos para os Media. Era uma cadeira de 4º ano da especialização em Jornalismo e muitos colegas não entendiam porque é que a cadeira que valia mais unidades de todo o curso era dedicada ao cinema. Sem deixar de os compreender, eu adorava... Era a minha praia... Estudos cinematográficos, argumentismo, fotografia e montagem, análises semióticas. Era uma cadeira anual com 6 horas de aulas semanais e o professor que muito prezo tinha fama de ser duro. Aliás... Era duro. Facilmente caí nas suas graças. Era dedicada àquela cadeira, interessava-me o tema, ali sentia que podia ser maior. Tanto, que já tinha encaminhado a minha candidatura ao mestrado em cinema em duas universidades inglesas.

A minha turma não me achava tanta graça assim. Aluna que nunca foi às aulas, de repente caía ali de pára-quedas pronta para saborear de um trago só matérias que eles não queriam, nem tinham de ter a mesma sensibilidade que eu demonstrava. Aos poucos julgo que perceberam que eu era mesmo assim, que aquela paixão pelo cinema, estética e semiótica era genuína, que não era uma lambe botas, pelo contrário, era das poucas que ousava corrigir o professor. Depois da implicância inicial começaram a pedir-me ajuda para os trabalhos da mesmo forma como eu lhes pedia os apontamentos de outras cadeiras que não tinha gosto em frequentar. E com extremo prazer o fazia. Sugeria-lhes temas, filmes, bibliografias, frases de abertura para os trabalhos, trechos a mostrar na apresentação.

Um dia em jeito de brincadeira uma colega, que era óptima aluna, disse-me que eu deveria criar um blog para poder lá escrever as mesmas coisas que lhes dizia. A sugestão que era elogiosa deixou-me a pensar e apesar de nunca ter transformado este blog naquilo que ele merecia, podem ler para trás muitos e muitos textos sobre cinema. Textos dos quais me orgulho. E assim fica a história pura e dura do meu inicio a sério num blog...

Mas em 2006 eu desconhecia por completo que existiam seguidores... Eu não lia outros blogues logo não esperava que lessem o meu. Apenas o conheciam os meus amigos, principalmente por curiosidade de ler a critica que escrevia ao filme que tinhamos visto no dia anterior.

No decorrer dos anos desta residência surgiu-me um leitor que sempre assinou como PP. Não sei quem é mas julgo que me conhece ou conheceu. A forma intima como me escreve sugere isso e quando lancei o repto para o conhecer respondeu-me assim: "Só hoje vi a tua msg. E talvez até me conheças, mas isso não interessa. Porque sei que poder estar na tua mente nem que seja um minuto por ano, é ter também uma residência nas nuvens, só não é fixa. P.S. A lua hoje está linda." ou assim "Eu sei que deixando comentários aqui e ali estou sujeito a que todos vejam o que escrevo. Mas de outra maneira não teria onde me inspirar. Continuas linda e com bom gosto,  fico feliz se souber que tudo te corre bem por ai na ilha. Mas lembra-te que o Porto terá sempre saudades de princesas como tu." deixando-me ainda mais curiosa.
A última vez que me escreveu foi em 2009 e não faço ideia se ainda este visita este espaço. Se sim, o que duvido, aqui fica:

Caro PP, no dia 10 de Fevereiro de 2008 escreveste-me assim: "não sei porquê, mas porque sim. eu minto e desminto num olhar, mesmo que não olhes pra mim, eu minto e volto a mentir. porquê? -não digo, ou porque sei que por mais longe que eu esteja do teu olhar, eu estarei a ver, e volto a mentir. tu és especial não tens de perguntar porquê, mas a resposta, é porque sim. porque vives e guardas o melhor pra ti e não queres deixar o mundo sem saber o sabor do que guardaste aqui."
E 40 meses depois queria te dizer que nos últimos dias me lembrei muito destas palavras e que sim... Não vou deixar o mundo ser saber o sabor do que fui guardando aqui e ali. Obrigada por estas palavras tão especiais que não serão esquecidas. Obrigada essecialmente por me teres alertado para a grandeza das pequenas coisas e vai aparecendo que esta residência sente falta de um anónimo como tu.

A minha marca (até que o mar a levasse) na praia da minha vida. 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sussurros do sexo + forte: Amores em linha

Moram em países diferentes, nem falam a mesma língua. Numa rede social online descobrem que são amigos de amigos e a beleza dela faz-vos dar o primeiro passo. Afinal é tão mais fácil quando se está a uma distância de um clique. Não precisam de ter o cabelo penteado nem a camisa engomada. Trocam-se uns emails num inglês enferrujado, o essencial é sempre entendido. Afinal a língua da sedução é universal. Enviam-se uns vídeos com umas músicas cuja letra é suposto falar por si. Quando dão conta já enviam mensagens de boa noite e a conta de telefone aumenta a olhos vistos. Já a viram na webcam, trocaram fotografias dos cães e já conhecem a sua rotina. Passam por dia um número de horas consideráveis em frente ao monitor do computador e pela primeira vez não é num qualquer jogo online. É oficial: têm uma relação no ciberespaço. É então que chegam àquela fase decisiva. As fantasias para se encontrarem num país neutro e passarem um romântico fim-de-semana à beira-mar aumentam. Fazem planos de passarem a próxima passagem de ano juntos, trocarem prendas no natal e fazerem aquela viagem ao destino paradisíaco que os dois sempre sonharam. De repente já marcaram as férias para a mesma altura que ela, e tudo parece tão perto, no entanto tão longe. Vão dar esse passo? Conhecer alguém cuja história que partilham é meramente digital?
Para esta pergunta podem haver várias soluções. Se o entendimento for assim tão bom, porquê estragar com um encontro embaraçoso em que os vossos assuntos de conversa parecem de repente se terem reduzido ao tempo. E se ela não gostar da forma como vocês caminham, se o som da vossa gargalhada a incomodar ou até nem têm gostos gastronómicos semelhantes. De repente vêm nela uma olhar de reprovação, sentem-na desconfortável e com a constante pergunta na cabeça “O que é que eu faço aqui num país estranho com um homem estranho”. E se o mesmo vos acontecer a vocês. Qual será pior? A desilusão ou a rejeição ou a simples sensação incómoda que têm quando acordam de um sonho bom e descobrem que afinal nunca aconteceu….
Ou… Porque não podemos ser pessimistas, podem descobrir que ao vivo a vossa química sobe em flecha. Que estão oficialmente apaixonados apesar de só ser a primeira vez que se estão a ver, que afinal sentiram tantas saudades daquela pessoa à vossa frente que é tudo menos uma estranha.
Conheço pessoas a quem lhes aconteceu a primeira alternativa, outras a quem aconteceu a segunda. Alguns casaram, outros continuam juntos há anos, outros tiveram simplesmente uma noite louca para relembrar. Poucos são aqueles que tiveram de facto uma má experiência. Afinal o desconhecido é sempre atractivo.
Por muitas diferenças que possam encontrar neste exemplo, quase todos já tiveram uma experiência parecida. Mais ou menos distância, mais ou menos orçamento, mais ou menos paixão na vossa relação cibernética. A internet é cada vez mais um sítio apetecível para conhecer pessoas novas e se pensarem bem é tentador que a informação esteja ali tão perto e a selecção, que não é assim tão natural, posso ser feita de raiz. Um conselho. Arrisquem. Vivemos numa aldeia global, conheçam as vossas vizinhas sexy.

(Os "sussuros" que vão lendo aqui foram publicados entre 2008 e 2009 na revista masculina Bling HIM. Era uma crónica que escrevia com o intuito de "ajudar" os homens a entender melhor as mulheres. Apesar de baseada na minha experiência e conhecimentos esta crónica era assinada com um pseudónimo e escrita por uma "personagem" que criei.)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

The importance of being alone...


No Sábado estava um dia de sol no Estoril. Falei com familia e amigos que me informaram que em casa estava mau para o bronze. Era só isto que precisava de ouvir para decidida me encaminhar para a praia. Levantei-me tarde e ainda assim só dormi umas miseras 4 horas. Desci à sala da casa onde estava e encontravam-se já os meus convivas em modo pequeno almoço inglês. Insistiram que ficasse por ali mas é sabido que não consigo ficar muito tempo no mesmo sitio... E então entrei no modo que mais gosto: solidão, a minha solidão, num sitio que não meu.
Adoro o Estoril, recordo as dezenas de vezes que lá fui mas a verdade é que ficava sempre no mesmo hotel, mais tarde na mesma casa e em outras ocasiões deslocava-me de carro. Ora eu sabia que a praia estava por perto mas não tão perto. Caminhei perdida pelas ruas, sem vontade nenhuma de pedir indicações. Haverá uma sensação de liberdade maior do que esta?
Depois de alguns tropeções e caminhos menos próprios cheguei à marginal. Virei sem pressa para a minha direita desconhecendo de todo onde estava. Always turn right. A unica coisa que lamentei foi não ter comigo a minha música, mas dado o estado da minha cabeça de 4 horas mal dormidas talvez fosse melhor assim. E nesse passo lento e aventureiro cheguei a esta praia que não lembro o nome. Escondida por casas e pedras, esta pequena baía pareceu-me o paraíso. Estendi a minha toalha e sem olhar duas vezes fui arriscar os meus dentinhos nas rochas, caminhando sem chinelos, mergulhando e voltando a subir entre escorregões. Sabia que nunca na vida me deixariam fazer aquilo (pais/ amigos/ namorado/ irmãos). Senti-me como a miuda que rouba a bolacha e a come atrás do sofá com os pais lá sentados a ver tv. Senti-me livre, senti-me feliz.
E já mencionei no outro blog que este fim de semana foi muito bom, que as pessoas que me acompanharam foram fantásticas e que me diverti imenso. Mas a Raquel só é verdadeiramente ali. Consigo própria a trepar rochedos escorregadios. Sem ninguém a observar a não ser a sua própria consciência. E sem cinismos o digo porque quem me conhece e quem me gosta o sabe: não há melhor companhia para mim do que eu própria.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sussuros do sexo + forte: As Bandidas.


A minha cidade está cheia de bandidos. Uma epidemia, como nunca aconteceu e que ninguém parece conseguir controlar. Mas estes bandidos não roubam carros, quadros ou jóias. Eles andam aí, cruelmente a roubar corações. Vêm com falinhas mansas, dizem o que uma mulher quer ouvir, fazem-na sentir especial e única e depois como se nada fosse, desaparecem. Ora que esta nova classe de ladrões, não me assusta nem um bocadinho. É que apesar de provocarem o terror entre o seio da comunidade das meninas ditas princesas que inocentes ainda acreditam em príncipes, eles desconhecem a existência de mulheres como eu: as bandidas. E eu, apesar de ser fã número um da bandidagem, vou-vos ajudar a reconhecer quando uma mulher vos está a tentar roubar o coração.
Uma bandida tende a ganhar o alvo a atingir pela confusão que lhe provoca, tanto que após lhe anestesiar os sentidos, ele se recusa a acreditar que nada mais do que uma princesa tem ao seu lado. Ela é segura de si e senhora do seu nariz, mas nos momentos certos mostra-se fragilizada para que vocês acreditem que a podem consolar e apoiar, que são importantes na sua vida. Tanto vos faz sentir inferiores a ela de forma quase constante, como solta um elogio que vos parece sincero e vos deixa encantados por tempo indeterminado. A disposição dela funciona como o vento, e vocês, ignorando se naquele dia está para norte ou para sul, tratam-na sempre com muita cautela, como de uma casquinha de ovo se tratasse. Por fim, e porque as bandidas sabem aproveitar o melhor de si, elas dão o seu corpo a conta-gotas, combinando esta espera com momentos intensos de total entrega, seguidos de novo recuo, o que vos deixa loucos de desejo. As bandidas mitificam-se, e vocês comuns mortais, nada mais têm a fazer do que adorá-las.
Chegando a esta fase, cada homem já se questiona o que fez de certo ou errado para justificar cada acto dela. Sente-se tonto e ansioso. Já se afastou dos amigos e tem embaraço em contar aos mais próximos o que lhe vai na alma. É oficial, foram seduzidos. Ou melhor, lamento dizer-vos: foram manipulados, enganados, logrados, iludidos.
Querem saber agora a parte boa da história? Todo este esforço por parte da mulher só se aplica quando ela realmente não está interessada num homem, quando não imagina um futuro com ele, quando só precisa de alguém que aumente um bocadinho o seu ego ou venha apimentar a sua vida sexual. E assim sendo, para bandida, bandido e meio e aconselho-vos a aproveitarem ao máximo este jogo que se pode tornar muito excitante para ambos. Se se apaixonarem, então desistam, fujam a sete pés, porque não há nada que humilhe mais um homem perante uma mulher do que a sua fraqueza.
Por fim a pergunta lógica: Então e quando as mulheres gostam de um homem? Infelizmente meus caros, tenho de vos confessar a verdade: até as criaturas que vos falei em cima se apaixonam e aí… São tão tontas e ansiosas como vocês conseguem ser. Palavra de Bandida!


(Crónica escrita para a terceira edição da revista Bling HIM)

sábado, 14 de maio de 2011

O meu pops.


Hoje foi a última vez que te conduzi. A última depois de nove longos anos. Foste o meu primeiro carro e contigo e em ti vivi mais do que com todas as pessoas juntas que conheço. Juntos fomos ao deserto do Sahara, fizemos quilometros infindáveis só os dois... Daquelas viagens em que te carregava no acelerador com o pé esquerdo por ter o direito cansado. Dentro de ti fiz um pouco de tudo mas principalmente cantei, cantei muito. Chorei também é certo mas hoje despedi-me do meu companheiro de sorriso no rosto. Não nostálgico, apenas de adeus que já se faz tarde. Mas não podia deixar de dedicar umas linhas, no fundo não tens culpa do choque contra o camião a alta velocidade, eu também não. Não tens culpa que depois desse acidente tenhas ficado tosco, a proferir gemidos estranhos quando te acelerava um bocadinho mais, irremediavelmente estragado. Não tens culpa dos assaltos a que foste sujeito, das marcas de cerveja em todo o lado, do meus sapatos espalhados nos bancos...
No fundo só te quero o bem e por isso do meu mais intimo ser te desejo:  espero que o teu próximo dono te trate melhor do que eu tratei.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Twelve

"No one needs anything here. It's all about want."

Twelve - um filme aparentemente fraco sobre o Upper East Side e futilidades de adolescentes ricos... Sendo o protagonista, um actor de Gossip Girl, a comparação incial é inevitavel mas Twelve pouco ou nada tem a ver com a série. Existem meninas futéis que se preocupam com a fama entre o meio escolar, existem virgens de 17 anos desejosos de passarem uma noite com a prom queen, mas tudo isto serve para complementar a estrutura de um filme que em muito me agradou. Uma boa surpresa, uma vez que as criticas ao filme são fraquissimas e deixam-se adivinhar por quem não consiga ver para lá daquilo que o filme aparentemente nos diz.  Com um quê de Breat Easton Ellis, mais nomeadamente Menos que Zero e Regras de Atracção na aproximação da história e desenrolar do argumento e a fazer lembrar Fight Club em alguns elementos da fotografia e da montagem... É frio, duro e implacável. Mostra a realidade que muitos se recusam a ver e apesar de alguns acusarem Joel Schumacher de violência gratuita, eu acho que a maior violência está nas palavras, na devastação de uma sociedade adolescente por uma droga nova, twelve, e as suas consequências nefastas. Excelentes interpretações, com narração certeira e arrepiante de Kiefer Sutherland e uma pequena mas marcante participação de 50 cent. Por fim há que falar de Chace Crawford a mostrar que é muito mais que um cara bonita da nova vaga da televisão.
Not just another teen movie. Recomendo!

domingo, 17 de abril de 2011

Se te dessem essa oportunidade, com quem gostarias de te sentar à mesa de jantar?


Há dez minutos atrás, estava deitada numa esteira de madeira no meu bikini vermelho a bronzear-me enquanto lia o último de Paul Auster: Sunset Park. Em duas horas li cerca de 100 páginas, mas ao longo dessas duas horas o processo foi-se tornando tão penoso que ao contrário de há dez minutos atrás encontro-me deitada na rede brasileira, estrategicamente posicionada à sombra, com o computador nas pernas. Tenho uma verdadeira obsessão por ter a pele bronzeada, já lhe chamaram tanorexia, mas sou absolutamente incapaz de conseguir ficar mais de quize minutos ao sol sem fazer nada. Entre ouvir música, arrancar bocados de relva, observar o cão ou contar os milhares de pedaços de algodão que pairam no ar como nesta tarde, nada me ajuda mais na minha tarefa de bronzear o corpo do que a leitura. Por isso vestir um bikini para mim equivale a agarrar num livro ou numa revista que me prenda algum tempo na toalha. E assim já li vários livros de Paul Auster, alguns num dia apenas, naqueles dias fabulosos de praia no Algarve em que um livro demasiado bom não me permite ir a banhos sequer.

Sei que este vício vem desde sempre porque me lembro claramente que no primeiro Verão em que já andava na escola, com seis anos, a minha mãe me oferecia um pequeno livro infantil por dia. Era a forma de me arrastar para a praia de manhã quando queria ficar mais umas horas na cama. Sempre quis ficar mais umas horas na cama... Com 15 anos contei o número de livros que li nesse Verão e não me lembro o número exacto mas sei que ultrapassou as quatro dezenas. Nessa altura já lia romances, aliás praticamente só lia romances, que apesar da tradução de novels para português nada tinham de romântico porque nunca fui dada a finais felizes.

Comecei cedo a ler Paul Auster. O primeiro livro que li foi o Livro das Ilusões logo que foi lançado e fiquei apaixonada pela sua escrita. Em menos de nada comprei toda a sua obra publicada inclusivé a antologia de pequenos contos escritos por outros e que lia num programa de rádio aos fins de semana. Recebi o Sunset Park como prenda do dia de Reis e é uma vergonha para mim que ainda não o tenha lido, por isso hoje foi a minha escolha óbvia para acompanhar um dos primeiros bikinis do ano. Mas não consegui. Auster tornou-se ao longo dos anos mais complexo, mais acutilante ou talvez eu me tenha tornado assim.  O sol demasiado forte encadeia-me os olhos e as minhas pestanas demasiado longas dificultam o processo de ler com os olhos semi cerrados. Por isso abdiquei do sol porque um Auster não merece ser lido assim aos tropeções e sim com toda a atenção que lhe posso dedicar. Ao arrumar a esteira de madeira, a toalha, o creme solar e tudo que me acompanha na minha "tanorexia" assolou-me um pensamento que fez ter vontade de ligar o computador e escrever este texto: se eu pudesse escolher com quem e onde jantar a minha resposta seria sem dúvida com Paul Auster e a sua mulher Siri na casa onde vivem em Brooklin. E entretida nesse pensamento subi as escadas de pedra que separam a relva onde me deito ao sol da rede onde estou agora.

Imagino que demasiado nervosa por estar com uma pessoa cuja escrita admiro falaria demais nesse jantar e diria coisas sem sentido. Quando lemos muito uma pessoa ficamos com a falsa sensação de a conhecer, mas a verdade é que qualquer escritor fala de si nos seus livros e Auster não é excepção. Recordo quando li a Trilogia de Nova Iorque e o episódio em que alguém liga para a casa do personagem principal e diz: -Estou a falar com Paul Auster, o escritor? E recordo também como na altura pensei em como Auster era grande por ter feito deste detalhe a mais deliciosa forma de imodéstia merecida.
Por isso se fosse jantar com Auster e a sua mulher provavelmente iria falar demasiado de mim para não cair na tentação de falar demasiado dele. Julgo que talvez não fosse necessário porque ele o faria com naturalidade mas caso não acontecesse de certeza que sei do falariamos. De cinema. Sim, porque não há ninguém que descreva um filme e que me impressione tanto como Paul Auster e eu não sou facilmente impressionável. Não quereria debater os seus livros para ficar com a mesma incómoda sensação/ desilusão que fiquei quando conheci a casa de Anne Frank da mesma forma que não lhe iria pedir que me autografasse um exemplar por não achar graça a esse acto.

Aconteceu-me uma única vez, com Luis Sepúlveda na apresentação de um livro dele que não consegui passar da vigésima página por achar demasiado mau. Na apresentação do livro que fui enquanto jornalista, ainda hoje guardo essa reportagem no caderno de couro onde estão as minhas primeiras peças publicadas, percebi logo que não iria gostar do livro. E enquanto ele o assinava só pensava que azar o meu em não ter trazido o Diário de um Killer Sentimental, livro de que realmente gostei e me fez apaixonar pela sua escrita. Qual acto irrefletido, ataquei o último livro que tinha lido dele, Uma História Suja, como sendo demasiado político e perguntei-lhe se se considerava um Chomsky da América Latina, ao que ele me respondeu ser um elogio e que lamentava que eu não gostasse de toda a sua obra, mas que não podiamos gostar todos do mesmo. E desde aí nunca mais li Sepúlveda. E por isso Auster no nosso jantar imaginário com a sua mulher também escritora na casa de Brooklin, não iria assinar nenhum dos exemplares que possuo da sua obra nem tampouco debater as ideias que retirei e que tanto me inspiraram de cada livro. Aconteceu com Anne Frank, aconteceu com Sepúlveda, não o iria permitir que acontecesse com Auster. O tipo de escritor que me consegue levar para a sombra num dia de sol como este.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O meu provincianismo gastronómico.



Desenganem-se aqueles que acham que por eu gostar de coisas de princesinha e até ter um outro blog que fala de trapos que sou sofisticada no que toca a comida. Que me podem pôr à frente uma ementa de cozinha internacional e que eu vou escolher com distinção o prato mais requintado e alternativo da carta. Desenganem-se mesmo. Sou uma saloia gastronómica. Começo por ser uma esquisita que não gosto de nada. Não gosto de sushi apesar de ter tentado várias vezes, aliás não aprecio peixe de forma geral. Não gosto de sopa nem de legumes. Salada só mesmo de tomate. Coisas verdes só pimentos padrão. Já passei fome numa boa dezena de paises. Em Marrocos, Tunisia, Turquia, Egipto e Bulgária alimentava-me a omeletes. Em Israel, comer ovos era mais complicado por crenças religiosas e alimentava-me mesmo a fruta, tanto que apanhei um virus por esta não ser bem lavada. No Brasil comia carne grelhada apenas porque não gostava nada do resto das coisas que por lá inventavam. Em Espanha vou me safando com as tapas e alguma carne e em França foi o país onde terei comido melhor, apesar de ter odiado de morte a refeição em decidi comer o que de mais tipico havia. Imaginem Inglaterra.

Lamb? No please, no more lamb. A carne não tinha qualidade, as cebolas não tinham cor, o azeite não tinha aroma. Imaginam um refogado sem cheiro? Foi a minha vida durante 1 ano. A comida não tinha tempero e detesto o puré de batata grosso deles, mais os purés de cenoura, maçã, beringela e tudo aquilo que estiver a jeito. É normal portanto que tenha emagrecido 10 kilos mesmo cozinhando em casa muitas vezes e sim, dava-me ao trabalho de fazer assados e feijoadas só para me deliciar sozinha. Quando a minha irmã me mandava uma alheira pelo correio, era uma felicidade que não imaginam...

Sou uma básica a comer... Gosto de carne, mas não me ponham molhos elaborados que ponho logo de parte. Gosto de arroz mas por favor tirem-me da frente risotto que me deixa agoniada. Gosto de ameijoas, caracois, percebas e adoro camarão tigre, mas não mexo um dedo para ir comer uma lagosta. Não gosto de doces, olho a melhor pastelaria francesa com um ar absolutamente indiferente. Gosto de massas mas só aquelas bem básicas com carne picada, queijo e natas ou vinho, alho e marisco. Morria se comesse um bife tártaro mas adoro os miolos do cabrito e do leitão... Sou tão saloia que a melhor coisa que me podem dar quando estou com fome é chouriço assado na brasa, croquetes de carne ou um prego no pão com queijo e fiambre. Mas o que eu gosto mesmo e me dá prazer comer (porque adoro comer, como adoro cozinhar) é aquilo a que o Miguel Esteves Cardoso chamou recentemente "comida de puta". Salsichas, batatas fritas descascadas à mão com dois belos ovos estrelados. Fico no céu.

Por isso se alguém me quiser levar a jantar e impressionar, já sabem. Levem-me à casa do vossa mãe!