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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

/dos sonhos - Update V.2019


 A minha actividade onírica anda aos pulos, as trips a nível meditativo também. Começou talvez antes de fazer o curso de Theta Healing e talvez por isso o tenha decidido fazer, é na onda theta que me sinto mais eu, eterna sonhadora, a dormir ou acordada. Tenho sonhos que são enigmáticos, sempre tive, outros mais reveladores, mas sempre muito ricos. Tenho acordado dos meus próprios sonhos com a consciência de e do que estou a sonhar, e tenho que acordar para pensar no que se acabou de passar em REM. E esta é nova para mim, apesar de já ter lido sobre essa experiência num livro sobre vivid dreams que trouxe de Portland. 

Hoje estava a ter um sonho com imensas personagens e direcções, mas o fio condutor era que me queriam fazer sentir menos do que aquilo que eu sou, self-esteem wise, e entre devaneios, sentam-me numa cadeira de maquilhagem, penteiam-me o cabelo parecido com a Brooke Shields nos anos 90 e eu solto a seguinte frase, com sotaque sulista, que não sei de onde vem: "Look at me. I look more like an icon, than icons look like icons these days!" E pensei: esta frase é tão mas tão boa, eu tenho de acordar imediatamente para não me esquecer e ponderar sobre ela. E assim foi..

I don't know where I and my crazy mind are going, things are getting crazier and crazier by the day, but I just promise it won't be boring! 😉

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

7 coisas sobre mim


1- Fui morar sozinha para o Porto com 16 anos e comprei a minha casa aos 23. No entanto, desde que regressei de Inglaterra e depois de mudar de casa dezenas de vezes desde que nasci, tenho ficado por Guimarães, no conforto da família. Estou a ganhar coragem para voltar a ser totalmente independente e regressar a tempo inteiro à cidade e à casa onde durmo 3 noites por semana mas confesso que não está a ser  fácil.

2- Odeio surpresas. Nem das boas gosto. Gosto de antever tudo, gosto de saber o que se passa à minha volta, gosto de ter tudo debaixo do meu controle. Lido relativamente bem com a imprevisibilidade mas não consigo deixar de sentir, nem por uns segundos, um certo pânico do que virá.

3-  Memória. Para o bem e para o mal tenho uma memória um pouco assustadora. Foi bom na escola, é bom  num contexto de trabalho, é bom poder recordar-me tão bem de tudo. É péssimo não conseguir filtrar o que guardo. Deito-me na cama ao fim do dia e mil frames percorrem na minha cabeça, lembro-me de tudo à exaustão. A roupa que cada pessoa tinha vestido num jantar há 10 anos, o número da página onde li uma frase, o nome das personagens de todos os livros que li, frases após frases após frases que ouvi. Uma parafernália de coisa inúteis que aconteceram no meu dia e que ficam guardadas: rostos, números, sensações. Tudo o que gostaria de esquecer e que o meu cérebro não permite... Alimento a minha mente de ficção à noite para conseguir adormecer. E aí entram os sonhos.

4- Tenho uma actividade onírica durante o sono absolutamente fora do comum. Desde pequena que todas as manhãs me lembro com perfeição do que sonhei durante a noite. E desde pequena que o que sonho durante a noite afecta o meu dia. Tenho sonhos premonitórios, sonhos disparatados, sonhos em que assisto, outros em que sou protagonista. Sonhos a preto e branco, sonhos mudos, sonhos em inglês, sonhos em português. Sonhos em que acordo dos sonhos e volto a acordar. Sonhos em que sei que estou a sonhar e não consigo acordar. Sonhos que se repetem semana após semana, sonhos que são continuidade de outros sonhos, com personagens e cidades apenas dos meus sonhos (como descrevi aqui). Já escrevi um diário do meus sonhos até concluir que tal como Freud disse "Sonho é o que sonhador conta" e como tal apenas no meu intelecto os meus sonhos fazem um pouco de sentido. Atrevo-me a dizer que os meus sonhos (em sono REM) são uma das coisas mais importantes da minha vida.

5- Sou muito desarrumada e ao mesmo tempo extremamente minuciosa e perfeccionista. Não consigo adormecer se souber que há um email que ficou por responder. Que o tapete do quarto está com uma dobra, que  não sei onde está alguma coisa de que ando à procura. E principalmente que não lavei os pés em água bem quente antes de os deitar na cama. 

6- Não falo com o meu melhor amigo desde 2009. Não o deixei de amar mas ele errou e não teve coragem de pedir desculpa. Eu não tive coragem de o procurar. Tenho saudades dele mas tenho medo de o reencontrar. 

7- A coisa de que mais tenho medo no mundo é de mim própria. A seguir tenho medo de insectos, do paranormal e de perder as pessoas de quem gosto.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sonhos de um Natal do Futuro...


Segundo dia na cama doente. Primeiro sonhei com carteiras. Carteiras no sono profundo durante a noite, carteiras durante a sesta à tarde. Carteiras e mais carteiras e eu no meio delas, a sorrir de forma parva como só uma mulher consegue aparvalhar com carteiras. Depois passou mais um dia sem ir trabalhar. Trancada em casa, aborrecida, a sentir-me inútil. O sono chegou rápido, tal como a febre, as dores no corpo... E passei a noite a sonhar que era Natal. Era Natal e eu ia passar o Natal sozinha. Uma e outra vez. Algumas pessoas convidavam-me mas não era possível por uma ou outra razão. Eu apercebia-me de que ninguém me queria realmente nas suas casas. Que não tinha uma família no verdadeiro sentido da palavra. Eu era uma mulher perto dos 30 que ia passar o Natal sozinha. Mas não chorava não pensem. Apenas passava os dias em desculpas atrás de desculpas a justificar a minha opção (forçada ou não) natalícia. Sim, foi um pesadelo. Será este o meu maior medo, a metáfora para a minha maior angústia. 30 e sozinha? Nada indica que isso aconteça, mas então porque sofremos a dormir se já há tanto em que pensar acordados. Sub-consciente do meu coração... Hoje posso sonhar com carteiras outra vez? É tão fácil ser fútil...

sábado, 22 de maio de 2010

A cidade do meu sonho


Há uma cidade onde vou recorrentemente nos meus sonhos. São sonhos agitados, ansiosos. Parece-me que essa cidade vive um clima de tensão. Sei que tem um rio e nas duas margens se debatem povos diferentes através da venda do seu artesanato. Mas num passeio por esse rio já assisti a agressões entre os oponentes. Parecem-me todos arábes mas há algo de diferente naqueles que estão na margem do rio que não alcanço. Como se pertencessem a uma década diferente, talvez um século. De resto toda a cidade está parada no tempo. Os restaurantes são uniformes e servem todos os mesmo pratos enfadonhos e mal preparados. As lojas vendem posters dos artistas dos anos 60 e de grandes êxitos do cinema dos anos 70. Apesar de muçulmanos (creio) só vejo referências ao passado do mundo ocidental. A cidade tem mar e um porto e nesse porto há um restaurante/ barco que é dirigido por portugueses. Comi lá um pastel de nata e bebi um chá de camomila, mas não pude comer o prato do dia, filetes de pescada com arroz de tomate porque já tinha terminado. Lá contam-me que naquele mar, anos antes houve uma grande tragédia, com um barco a afundar-se levando centenas de pessoas com ele. Olho para o mar com apreensão temendo que me aconteça o mesmo quando o meu ferry chegar. Penso nos cadáveres que ainda estarão no fundo da água.
Esta noite sonhei pela primeira vez que estava numa das casas dessa cidade. Creio que não vivia lá, porque continuava a sentir-me emprestada, mas dormi nas camas de ferro velho e cozinhei na cozinha, onde o que mais abundava era o cheiro e presença de óleo queimado. Comi, tal como em todos os outros restaurantes, batatas fritas com um bocado de carne seca. Ao sair de casa percebi que estava num bairro pobre e algumas pessoas saudavam-me como se me conhecessem. Eu estava descalça e o caminho era em pedra, magoando-me os pés. Sei que a cidade tem uma espécie de montanha onde se encontra uma igreja e com confusão constato que me parece uma igreja cristã. Já subi essa montanha e recordo-me que fiquei cansada quando o fiz, encontrando pouco mais que os vendedores de artesanato velho e mal encavacado que também estão nas margens do rio. Não sei onde fica esta cidade, nem sei se quero lá voltar, mas gostava de entender porque a visito tão frequentemente a dormir.

PS- Todos os sonhos descritos aconteceram neste último mês e não há gota de ficção nesta descrição.