domingo, 18 de março de 2007

The Queen


Nao gostei do The Queen. Fez-me lembrar aqueles telefilmes que via nas férias em Espanha, em que havia um Carlos, uma Diana, uma Isabel e até uma Camilla a falar castelhano. O risco de se recriar uma situação real, passada apenas há 10 anos atrás é enormissimo, e neste caso não foi bem sucedido. São personagens reais que o mundo conhece demasiado bem, uma tragédia que se mantém ainda bem presente na memória cada um. Creio que Stephen Frears devia ter esperado um pouco mais de tempo. Devia ter esperado que Tony Blair já não fosse Primeiro ministro, que Isabel II já não fosse rainha. Biopics como Ray e Walk the Line funcionam bem, porque retratam épocas há muito passadas e acima de tudo porque falam de herois já mortos.

As imagens reais da Princesa Diana, Bill Clinton e Nelson Mandela que realmente passaram nas televisões de todo o mundo, assim como os testemunhos de populares e manchetes de jornais que foram publicados, não se conjugaram bem com a parte ficcionada, não houve uma harmonia entre a verdade e a ficção. A verdade é que este filme (50% imagens de arquivo/ 50% representação) tem muito pouco, ou quase nada de estética cinematográfica, não passando de uma reconstituição dos factos de alta qualidade.
Safa-se Hellen Mirren, perfeita, arrepiante... Fico feliz que o único Oscar que o filme recebeu tenha sido para esta actriz. Seria uma injustiça para os restantes nomeados (melhor filme, melhor realização, melhor argumento original) verem The Queen levar mais estatuetas para casa.

PS- The Queen foi nomeado para 6 oscares e outras dezenas de variados prémios. Para além do mais teve excelentes criticas de todas as partes do mundo. Com isto quero dizer que gostos não se discutem, e apesar de eu não ter gostado, talvez valha a pena darem uma vista de olhos para me darem a vossa opinião.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Óscares: Premiar Arte ou Industria?



Quanto vale uma nomeação aos Óscares? Segundo Randy Nelson, professor de economia no Colby College, uma nomeação ao Óscar de melhor filme, rende em média o montante acrescido de 11 milhões de dólares em resultados de bilheteira. Já uma nomeação para melhor actor ou melhor actriz pode adicionar até um milhão de dólares ao Box Office, expressão usada para designar o ranking de filmes mais rentáveis num determinado período de tempo. Por este motivo grandes produtoras como Warner Bros, Fox, Paramount, Walt Disney e Miramax investem todos os anos milhares de dólares em campanha junto dos membros da Academia para que os seus filmes sejam nomeados.
The Queen, filme nomeado na categoria de melhor filme, passou de estar exibido em 344 salas na semana antes das nomeações para 1600 salas na semana seguinte. Este aumento representou o total de 3,7 milhões de dólares em resultados de bilheteira no espaço de uma semana. Os produtores de Babel, também nomeado na mesma categoria, viram o seu filme em exibição em 900 salas na semana após 24 de Janeiro, dia em que as nomeações foram anunciadas, em oposição com as 175 salas que ocupava na semana anterior. Porém ao observar o gráfico em cima, pode-se constatar que o número de filmes no top ten após as semana das nomeações desceu de 4 até ao total de 0 filmes na semana anterior à cerimónia dos Óscares.

Vários especialistas explicam este fenómeno como algo de bastante comum, uma vez que os filmes nomeados estrearam na sua maioria há vários meses atrás. Para além disso os filmes nomeados para os Óscares, marcadamente dramas, não costumam cair no goto dos espectadores que optam por películas mais ligeiras, principalmente no género comédia e animação. No ano anterior, as receitas das cinco longas metragens nomeadas ao Óscar de melhor filme, tiveram na sua totalidade um valor bastante inferior ao de um único filme da Disney: As Crónicas de Narnia. O mesmo acontece este ano com os filmes nomeados nas principais categorias, que conseguiram resultados de bilheteira muitos baixos. Letters from Iwo Jima, considerado pelos críticos como um dos melhores filmes de ano teve nos Estados Unidos uma receita de 2 milhões de dólares. Em oposição com este resultado, o também nomeado para 4 categorias técnicas: Piratas das Caraíbas, conseguiu 400 milhões de dólares nos Estados Unidos e 1 bilião de dólares a nível mundial.


Este fenómeno, porém, não é nada de novo e tornou-se previsível para a maioria dos especialistas. O ano de 2000 foi o último em que o filme campeão de bilheteiras arrecadou também o Óscar de melhor Filme. Aconteceu com o Gladiador e apenas durante 3 vezes mais nos anos 90: The Silence of The Lambs, Forrest Gump e Titanic.

De acordo com Abraham Ravid, professor de economia e finanças na Universidade Rutgers, um Óscar não representa obrigatoriamente uma melhoria visível nos lucros de um filme e principalmente pode limitar os trabalhos posteriores de um oscarizado. Essa vertente é muito visível nos actores e actrizes premiadas, que depois de receberem o Óscar têm usualmente dificuldades em arranjar papéis. Não só porque o seu valor no mercado subiu, limitando as produções de baixo orçamento, como também por ficarem demasiados associados ao papel que lhes valeu o Óscar.
Apesar dos fracos resultados de bilheteira, os filmes de 2006 têm agora com os Óscares uma nova oportunidade para revitalizarem os lucros. Para além das sessões extra que foram feitas para os filmes nomeados, muitos deles foram já lançados em DVD, o que representa uma lufada de ar fresco em termos monetários. De acordo com a revista Variety, o filme Crash subiu cerca 150% nas vendas de DVD a partir do momento em que foram anunciadas as nomeações. O mesmo parece acontecer com Litle Miss Sunshine, que após o anúncio das suas 4 nomeações passou para o quinto filme mais vendido na Amazon.
Arte ou Industria, os Óscares hão de estar sempre associados a resultados de bilheteira e venda de DVDs. E apesar dos prémios e os elogios da crítica estarem por vezes desfasados do número de espectadores, o certo é que a Academia opta por premiar filmes que possam projectar a imagem do Óscar a nível mundial. E coincidência ou não, Crash, o filme nomeado ao Óscar de melhor filme com maior receita de bilheteiras de 2006, arrecadou o galardão máximo contra qualquer expectativa, um ano depois repete-se o “filme” com The Departed, o menos elogiado pela critica a sair o vencedor da noite, deixando para trás os impopulares Babel e Letters from Iwo Jima.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

TIA - This is Africa : Blood Diamond



Esta frase, que aparece apenas duas vezes durante quase duas horas e meia, define o que é um dos melhores filmes de 2006 (american launch). Podemos começar pela fotografia, que vem mais uma vez mostrar o valor de Eduardo Serra e que deixa a desilusão de uma não-nomeação aos oscares. A imagem, castanha e com grão, tal como a terra que Leo DiCaprio segura na mão nas ultimas cenas do filme, transporta-nos numa viagem para a Serra Leoa, onde risos e lágrimas são uma constante. Os actores, todos os actores, estão inacreditavelmente bem. (Um oscar par Leonardo DiCaprio, por favor!) Este é um filme de consciências, apela ao lado humano de cada um e tem um papel no ano de 2006 semelhante ao que O Fiel Jardineiro teve em 2005. Ao mesmo tempo faz lembrar o Hotel Ruanda, talvez por serem dois filmes passados em Africa, sobre Africa. Este é um filme agressivo, com uma dose de violência brutal, que faz o espectador ficar com um nó na garganta. Fala de um diamante e de como ele pode mudar a vida de vários homens, com uma clara inspiração na Pérola de Ernest Hemingway.
Mas este filme, que como já disse é um filme de consciências, cai no erro de entrar em alguns cliches desnecessários. A lágrima, que é fácil demais em algumas cenas, devia ser guardada para os momentos realmente importantes. A montagem, por vezes confusa e dispersa, é um nitido exemplo de como o filme foi arquitectado para o suspiro constante em vez de uma visão mais realista e fria do tipico final feliz. Acho que o filme seria mais credivel sem os ultimos 10 minutos, ou seja as cenas passadas em Londres. O filme nasce em Africa e deveria morrer em Africa. Seria um final excelente, aquele plano do helicopetro em contra-luz a mostrar Africa em toda a sua plenitude. Seria um final em apoteose, com o desfecho em aberto a ficar na imaginação de cada um. Em contrapartida deixaram-se levar pelo final feliz, a fórmula batidissima de um inesperado heroi, desprezado durante todo o filme, e que acaba a ser aplaudido por uma plateia de ilustres.

Criticas à parte, este Blood Diamond, mais do que um bom filme, é um filme importante. Daqueles que significam alguma coisa, que ensinam alguma coisa. E como filme importante que é, dou-lhe 17 valores limpinhos.

Fica a questão: Deveria estar nomeado ao Oscar de melhor Filme? Digam-me vocês.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

And the Oscar goes to...

Próximo Domingo é a noite, a grande noite pela qual pessoas como eu, esperam durante alguns meses e vibram com o aproximar do dia. Eu sei que os Oscars nem sempre premeiam os melhores filmes desse ano (e cada vez mais) deixam de forma filmes que valia a pena serem valorizados. A academia é constituida por actores, realizadores, produtores, argumentistas, etc, sendo que cada um vota na sua categoria e todos votam na categoria de melhor filme. Ora num meio com tantas panelinhas como é o do cinema, obviamente que os prémios nem sempre são justos e o factor monetário tem a maior das influências. Alguns destes filmes ainda não estrearam em dvd, outros ainda estão em exibição nas salas americanas. Nada como um oscarzito para revitalizar um lançamento ou para assegurar um box office no próximo filme daquele actor/ realizador/ produtor/ argumentista/ etc. Mas isto não é novidade para ninguém, a arte cinematográfica é cada vez mais industria cinematográfica e...

Let´s face it: Quer se queira quer não, cinema é Hollywood, e que melhor exultação de Hollywood do que os Oscares da Academia...

Vou passar às minhas previsões e aos meus desenhos para a noite de Domingo. É que infelizmente, de certeza que não vão coincidir...

Desejos a azul, previsões a laranja:

Melhor Filme: Litle Miss Sunshine - Letters From Iwo Jima

Melhor Realizador: Martin Scorsese - Clint Eastwood

Melhor Actor: Leonardo DiCaprio - Forest Whitaker

Melhor Actriz: Kate Winslet - Helen Mirren

Melhor Actor Secundário: Djimon Hounsou - Eddie Murphy

Melhor Actriz Secundária: Adriana Barraza - Jennifer Hudson

Melhor Argumento Original: Babel - Babel

Melhor Argumento Adaptado: Borat Cultural Learning... - The Departed

Melhor Filme de Animação: Cars - Cars

Melhor Filme Estrangeiro: El laberinto del Fauno - El Laberinto del Fauno

Melhor Fotografia: The Illusionist - El Laberinto del Fauno

Melhor Montagem: Babel - Babel



terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Stranger than Fiction


Stanger than fiction é mais um da longa lista de filmes que foi injustiçado pela tradução ao titulo em português. Tal como aconteceu com Miss Litle Sunshine que com o titulo Uma familia à beira dum ataque de nervos, foi identificado como uma pura comédia estupida, Stranger than Fiction com Contado Ninguém Acredita, não fica propriamente a ganhar.

Stranger than Fiction é uma comédia sem duvida. Não daquela que arranca gargalhadas da plateia mas simples esgares de sorrisos com os diálogos inteligentes e bem estruturados. Deixa de lado os gags de situação e aposta num humor que nem qualquer pessoa gostaria. Aliás... Este não é o tipo de filme que vá coleccionar muitos admiradores em Portugal. É um filme sobre Literatura e sobre argumentismo e tem momentos de metalinguagem absolutamente deliciosos. Mas acima de tudo é uma lição de vida sobre o valor que cada coisa deve ocupar na nossa existência e quantos minutos devemos, ou não, dedicar a cada etapa.

Excelente argumento de Zack Helm a fazer lembrar um Charlie Kaufman mais leve e engraçado.
Bons actores. Um surpreendente Will Ferrell num papel que não cabe propriamente no seu género de comédia e os sempre bem Emma Thompson, Maggie Gyllenhaal (A Secretária) e Dustin Hoffman.
Marc Forster (Finding Neverland, Monster's Ball) a manter o nivel e as expectativas altas e a mostrar que um realizador não tem de fazer filmes todos iguais para se firmar no mercado cinematográfico.

Nota 15

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Babel de Inarritu



Fui ver o Babel e posso sem dúvida afirmar que é filme para Oscar, muito provavelmente o vencedor deste ano. Mas há muito mais para dizer sobre Babel. Este filme de Alejandro Gonzaléz Inarritu tem uma excelente montagem (não é à toa que está nomeado nesta categoria) e tem algumas interpretações exemplares (destaco a de Adriana Barraza e Rinko Kikuchi, ambas nomeadas ao oscar). Este é o típico filme “soco no estômago” que nos arrepia não necessariamente pelas imagens, não necessariamente pelos diálogos e sim pela envolvência das histórias, por aquilo que elas implicam… A critica social e antropológica como principal ingrediente, não deixa sequer de fora o retrato ao México como eterna cidade fronteiriça dos Estados Unidos e tudo o que isso implica. Inarritu e Arriaga, realizador e argumentista, ambos nados e criados no México dão aqui uma grande lição ao patriotismo cego de alguns realizadores norte-americanos que resulta em produtos hipócritas de pura propaganda nacionalista. De mencionar também a chamada de atenção à frieza norte-americana retratada não só nos turistas que preferem ignorar as férias de sonho manchadas pelo sangue alheio, como nos pais que deixam os filhos com uma empregada doméstica, por não terem nenhum laço familiar consistente.
Nota de destaque ainda para as histórias que se ligam, tão longe e tão perto. A adolescente que vive um silêncio que grita mais do que mil palavras, que parece ouvir constantemente uma música que deprime, apenas na sua cabeça. O pai, tão focado no seu próprio drama pessoal que não se apercebe que normalmente não sofremos sozinhos. O casal que parece ter atravessado o Atlântico para se verem pela primeira vez, a frustração de não se viver com quem se vive. A empregada mexicana, que apesar de legal continua a ser tratada como uma intrusa e que torna as crianças dos outros na sua própria família, a família que tem de ter para poder sustentar a sua própria. Por fim os laços familiares entre os habitantes do alto atlas, a desmistificar a imagem de que lá por se viver em grutas, não quer dizer que se viva como animais. A emoção do pai, o companheirismo do irmão… São, ao contrário do que acontece no cimo da torre da babel, uma língua universal.
Mas Babel apesar de ter todas as características que um Oscar pede, tem também alguns senãos que não o deixam, na minha perspectiva, ser o filme do ano:

1- A montagem. Já a indiquei aqui como uma mais valia, no entanto a montagem de Babel perde apenas num ponto: É idêntica à de
e à de Amores Perros e 21 grams , os outros dois filmes que compõem a filmografia de Inarritu. O mesmo se passa com a fotografia e a montagem sonora. Atenção! Isto não quer dizer que estas sejam medíocres, simplesmente deixa-nos uma sensação de deja pouco agradável para quem buscava uma surpresa/ revelação de Inarritu neste filme.

2- É uma fórmula gasta e repetida, a do argumento de Babel. É praticamente idêntica à de
Crash, o que talvez o impeça de ganhar o Oscar de melhor filme.

3- A edição. O filme tem cenas excessivamente lentas, algumas delas sem sentido estético e formal. Com menos 20 minutos de imagens, o resultado seria um filme melhor e mais passível de cair no goto dos espectadores.

4- Marrocos. Para quem como eu conhece o país e as zonas onde o filme decorre, o filme tem falhas de verosimilhança graves (o helicóptero nunca iria para Casablanca e sim para
Marrakesh que é muito mais perto do atlas e tem hospitais a nível internacional. Mas lá está… Babel é um filme para Hollywood ver e Casablanca é definitivamente mais hollywoodesco…) Para além disso Babel projecta uma má imagem deste Oriente aqui ao lado e acredito sinceramente que se o governo conhecesse o argumento, não daria autorização para as filmagens.

Contas feitas: Dou-lhe um 17 de 0 a 20, pela grandiosidade das imagens e pela audácia de
Inarritu de mostrar realidades a que estamos poucos habituados com um filme violento e mordaz.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Falemos de Cinema...

Agora que a boa disposição vai voltando aos poucos, posso falar um bocadinho daquilo que realmente gosto e me dá pica: Cinema.

Estamos a chegar à meta final da temporada dos prémios que culmina com a entrega dos oscares. Em relação a estes, apenas posso dizer que as nomeações mostram o quão fraquinho este ano foi em termos cinematográficos. Em contrapartida 2006 foi um excelente ano em termos televisivos. Será mesmo a era da telefilia, como profetiza João Lopes na Premiere de Janeiro?

As nomeações estão extremamente repartidas e existem 13 filmes com 3 ou mais nomeções, algo invulgar. Pan's Labyrinth, por exemplo, de quem pouca gente ouviu falar, recebeu 6 nomeções. O mais nomeado é Dreamgirls, filme que por ironia do destino não recebeu nomeação para melhor filme. 3 das nomeações são para melhor musica, ou seja, mesmo que ganhe em todas as categorias só levam 6 oscares para casa. Confesso que não acredito em Dreamgirls mesmo sem o ter visto. Basta ter a pseudo diva Beyonce no papel principal. Outra coisa que me indignou foi o facto de Letters From Iwo Jima estar nomeado para oscar de melhor filme e não de melhor filme em lingua estrangeira. Afinal já anteriores realizadores americanos realizaram filmes falados noutra lingua que não o ingles e foram remetidos para esta categoria. O Porquê da diferenciação? Por se tratar de Clint Eastwood?
Quanto às ausências, creio que as mais notadas são as de Volver e Apocalypto no oscar para melhor filme de lingua estrangeira. Eu sei que Volver não é o melhor filme de Almodovar, nem de longe nem de perto. Mas é um bom filme, que honra o cinema antigo americano dos anos 50 e tem um quê de filme noir com tragico-comédia telenovelesca. A cena do papel de cozinha é divinal. Um docinho que vale pelo filme todo. Quanto a Mel Gibson julgo que está a sofrer na pele a sua indiscutivel vontade de se tornar diferente. Hollywood não gostou de A Paixão de Cristo e o mesmo aconteceu com Apocalypto. Foge muito da american way of making movies, e para além do mais e isto é por todos sabido: os americanos não gostam de filmes que não são falados em inglês. Até o Iwo Jima teve honras de um titulo anglosaxónico.... E Eastwood é definitivamente, muito mais poderoso em Hollywood do que aquilo que todos imaginam.

Surpresas agradaveis: As 4 nomeações nas categorias principais para Litle Miss Sunshine (filme praticamente desprezado nos globos de ouro), a quinta nomeação para um oscar para Kate Winslet que tem só e apenas 31 anos de idade, a nomeação para melhor argumento original de Borat (uma comédia estupida, mas sem duvida um filme poderoso a nivel documental) e finalmente a descentralização da academia que se lembrou que Inglaterra também faz bons filmes e que do México não importam só a tequilla e as pinatas.

Um apontamento em relação aos globos de ouro:

O melhor: os prémios para os diversos actores britanicos e o discurso de Hugh Laurie.
O pior: Prison Break e Nip/ Tuck de fora e a péssima transmissão do AXN.

Para terminar aqui fica a minha lista dos filmes que mais gostei em 2006 e os que achei, não os piores, mas as maiores desilusões. (Recordo que não vou ao cinema há um mês e como tal ainda não vi a maioria dos filmes nomeados aos oscares).

Bons:

- Ilusionista
- Volver
- The Wicker Park
- Miami Vice
- Lucky Number Slevin
- Prime
- Good Night and Good Luck
- Pride & Prejudice
- North Country

Desilusões:

- DaVinci Code
- Brokeback Mountain
- Lady in the Water
- Memories of a Geixa
- World Trade Center
- Deja Vu (Tony Scott devia ter feito muito melhor do que esta ofensa à inteligência do espectador...)


sábado, 30 de dezembro de 2006

Hoje é um dia triste para mim e para os meus. É nestas alturas em que as pessoas apanham um abanão e se apercebem de que realmente a vida deve ser vivida como deve ser e com quem deve ser. Que se danem aqueles que não gostam de nós, as amizades de conveniências, aquele olá entre dentes a gente que não nos diz absolutamente nada. A vida é curta, é sagrada. Honrem os vossos dias, honrem a vossa família. Não banalizem as vossas lágrimas com assuntos menores, nem gastem o vosso tempo e afecto com temas e pessoas que simplesmente não valem a pena.

"Mas Deus leva os que ama.
Só Deus tem os que mais ama."

(125 Azul - Luis Represas)

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Entre Wilde e outros que tal.


"Os feios e os estúpidos são neste mundo os mais ditosos. Podem à sua vontade gozar o espectáculo."

Poderia ter sido eu a dizê-lo mas foi Oscar Wilde no Retrato de Dorian Gray. Escrito há tanto tempo e no entanto surpreendentemente contemporâneo. Recomendo. Mas só para pessoas pacientes, não é livro para se ler de um folego só.
Para leituras mais gulosas recomendo o livro que terminei hoje. Já tem 20 anos mas é absolutamente delicioso. Hotel New Hamshire de John Irving, excelente escritor.


PS- Hotel New Hampshire (1984) deu origem a um filme de Tony Richardson com Rob Lowe e Jodie Foster. Mal posso esperar por ver.


O primeiro


Já há muito tempo que quero criar um blog. Acho que as minhas opiniões são suficientemente interessantes para que as pessoas as possam ler. Por outro lado correm-me no sangue glóbulos jornalisticos, fruto das ambições de menina e agora praticamente concretizadas com o finalizar da licenciatura em Ciências da Comunicação. Mas não julguem que pretendo apenas informar. A única coisa em que o jornalismo não me completa e me faz procurar outros caminhos é a minha enorme vontade de criar, imaginar, inventar. Gosto de contar histórias, criar personagens, imaginar cenários na minha mente. Para tudo isto servirá este blog... Aparecerão aqui crónicas, opiniões, sonhos, fantasias, criticas, criações... Tudo! Até um Querido diário de vez em quando se para aí me virar.


Residência fixa nas nuvens porque esta é uma das expressões que mais usei na minha vida: "Quem me dera viver nas nuvens, ter lá residência fixa..." ou em Sunset Boulevard porque de certa forma o sonho do cinema leva-me às nuvens e (talvez não) uma vez lá chegando nunca mais vou querer regressar. Comentem, critiquem, protestam, façam o que vos apetecer. Vivemos num paradigma em que a opinião de cada um vale, desde que os próprios lhe atribuam valor. Façam-se ouvir, eu farei o mesmo.