terça-feira, 19 de abril de 2011

Twelve

"No one needs anything here. It's all about want."

Twelve - um filme aparentemente fraco sobre o Upper East Side e futilidades de adolescentes ricos... Sendo o protagonista, um actor de Gossip Girl, a comparação incial é inevitavel mas Twelve pouco ou nada tem a ver com a série. Existem meninas futéis que se preocupam com a fama entre o meio escolar, existem virgens de 17 anos desejosos de passarem uma noite com a prom queen, mas tudo isto serve para complementar a estrutura de um filme que em muito me agradou. Uma boa surpresa, uma vez que as criticas ao filme são fraquissimas e deixam-se adivinhar por quem não consiga ver para lá daquilo que o filme aparentemente nos diz.  Com um quê de Breat Easton Ellis, mais nomeadamente Menos que Zero e Regras de Atracção na aproximação da história e desenrolar do argumento e a fazer lembrar Fight Club em alguns elementos da fotografia e da montagem... É frio, duro e implacável. Mostra a realidade que muitos se recusam a ver e apesar de alguns acusarem Joel Schumacher de violência gratuita, eu acho que a maior violência está nas palavras, na devastação de uma sociedade adolescente por uma droga nova, twelve, e as suas consequências nefastas. Excelentes interpretações, com narração certeira e arrepiante de Kiefer Sutherland e uma pequena mas marcante participação de 50 cent. Por fim há que falar de Chace Crawford a mostrar que é muito mais que um cara bonita da nova vaga da televisão.
Not just another teen movie. Recomendo!

domingo, 17 de abril de 2011

Se te dessem essa oportunidade, com quem gostarias de te sentar à mesa de jantar?


Há dez minutos atrás, estava deitada numa esteira de madeira no meu bikini vermelho a bronzear-me enquanto lia o último de Paul Auster: Sunset Park. Em duas horas li cerca de 100 páginas, mas ao longo dessas duas horas o processo foi-se tornando tão penoso que ao contrário de há dez minutos atrás encontro-me deitada na rede brasileira, estrategicamente posicionada à sombra, com o computador nas pernas. Tenho uma verdadeira obsessão por ter a pele bronzeada, já lhe chamaram tanorexia, mas sou absolutamente incapaz de conseguir ficar mais de quize minutos ao sol sem fazer nada. Entre ouvir música, arrancar bocados de relva, observar o cão ou contar os milhares de pedaços de algodão que pairam no ar como nesta tarde, nada me ajuda mais na minha tarefa de bronzear o corpo do que a leitura. Por isso vestir um bikini para mim equivale a agarrar num livro ou numa revista que me prenda algum tempo na toalha. E assim já li vários livros de Paul Auster, alguns num dia apenas, naqueles dias fabulosos de praia no Algarve em que um livro demasiado bom não me permite ir a banhos sequer.

Sei que este vício vem desde sempre porque me lembro claramente que no primeiro Verão em que já andava na escola, com seis anos, a minha mãe me oferecia um pequeno livro infantil por dia. Era a forma de me arrastar para a praia de manhã quando queria ficar mais umas horas na cama. Sempre quis ficar mais umas horas na cama... Com 15 anos contei o número de livros que li nesse Verão e não me lembro o número exacto mas sei que ultrapassou as quatro dezenas. Nessa altura já lia romances, aliás praticamente só lia romances, que apesar da tradução de novels para português nada tinham de romântico porque nunca fui dada a finais felizes.

Comecei cedo a ler Paul Auster. O primeiro livro que li foi o Livro das Ilusões logo que foi lançado e fiquei apaixonada pela sua escrita. Em menos de nada comprei toda a sua obra publicada inclusivé a antologia de pequenos contos escritos por outros e que lia num programa de rádio aos fins de semana. Recebi o Sunset Park como prenda do dia de Reis e é uma vergonha para mim que ainda não o tenha lido, por isso hoje foi a minha escolha óbvia para acompanhar um dos primeiros bikinis do ano. Mas não consegui. Auster tornou-se ao longo dos anos mais complexo, mais acutilante ou talvez eu me tenha tornado assim.  O sol demasiado forte encadeia-me os olhos e as minhas pestanas demasiado longas dificultam o processo de ler com os olhos semi cerrados. Por isso abdiquei do sol porque um Auster não merece ser lido assim aos tropeções e sim com toda a atenção que lhe posso dedicar. Ao arrumar a esteira de madeira, a toalha, o creme solar e tudo que me acompanha na minha "tanorexia" assolou-me um pensamento que fez ter vontade de ligar o computador e escrever este texto: se eu pudesse escolher com quem e onde jantar a minha resposta seria sem dúvida com Paul Auster e a sua mulher Siri na casa onde vivem em Brooklin. E entretida nesse pensamento subi as escadas de pedra que separam a relva onde me deito ao sol da rede onde estou agora.

Imagino que demasiado nervosa por estar com uma pessoa cuja escrita admiro falaria demais nesse jantar e diria coisas sem sentido. Quando lemos muito uma pessoa ficamos com a falsa sensação de a conhecer, mas a verdade é que qualquer escritor fala de si nos seus livros e Auster não é excepção. Recordo quando li a Trilogia de Nova Iorque e o episódio em que alguém liga para a casa do personagem principal e diz: -Estou a falar com Paul Auster, o escritor? E recordo também como na altura pensei em como Auster era grande por ter feito deste detalhe a mais deliciosa forma de imodéstia merecida.
Por isso se fosse jantar com Auster e a sua mulher provavelmente iria falar demasiado de mim para não cair na tentação de falar demasiado dele. Julgo que talvez não fosse necessário porque ele o faria com naturalidade mas caso não acontecesse de certeza que sei do falariamos. De cinema. Sim, porque não há ninguém que descreva um filme e que me impressione tanto como Paul Auster e eu não sou facilmente impressionável. Não quereria debater os seus livros para ficar com a mesma incómoda sensação/ desilusão que fiquei quando conheci a casa de Anne Frank da mesma forma que não lhe iria pedir que me autografasse um exemplar por não achar graça a esse acto.

Aconteceu-me uma única vez, com Luis Sepúlveda na apresentação de um livro dele que não consegui passar da vigésima página por achar demasiado mau. Na apresentação do livro que fui enquanto jornalista, ainda hoje guardo essa reportagem no caderno de couro onde estão as minhas primeiras peças publicadas, percebi logo que não iria gostar do livro. E enquanto ele o assinava só pensava que azar o meu em não ter trazido o Diário de um Killer Sentimental, livro de que realmente gostei e me fez apaixonar pela sua escrita. Qual acto irrefletido, ataquei o último livro que tinha lido dele, Uma História Suja, como sendo demasiado político e perguntei-lhe se se considerava um Chomsky da América Latina, ao que ele me respondeu ser um elogio e que lamentava que eu não gostasse de toda a sua obra, mas que não podiamos gostar todos do mesmo. E desde aí nunca mais li Sepúlveda. E por isso Auster no nosso jantar imaginário com a sua mulher também escritora na casa de Brooklin, não iria assinar nenhum dos exemplares que possuo da sua obra nem tampouco debater as ideias que retirei e que tanto me inspiraram de cada livro. Aconteceu com Anne Frank, aconteceu com Sepúlveda, não o iria permitir que acontecesse com Auster. O tipo de escritor que me consegue levar para a sombra num dia de sol como este.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O meu provincianismo gastronómico.



Desenganem-se aqueles que acham que por eu gostar de coisas de princesinha e até ter um outro blog que fala de trapos que sou sofisticada no que toca a comida. Que me podem pôr à frente uma ementa de cozinha internacional e que eu vou escolher com distinção o prato mais requintado e alternativo da carta. Desenganem-se mesmo. Sou uma saloia gastronómica. Começo por ser uma esquisita que não gosto de nada. Não gosto de sushi apesar de ter tentado várias vezes, aliás não aprecio peixe de forma geral. Não gosto de sopa nem de legumes. Salada só mesmo de tomate. Coisas verdes só pimentos padrão. Já passei fome numa boa dezena de paises. Em Marrocos, Tunisia, Turquia, Egipto e Bulgária alimentava-me a omeletes. Em Israel, comer ovos era mais complicado por crenças religiosas e alimentava-me mesmo a fruta, tanto que apanhei um virus por esta não ser bem lavada. No Brasil comia carne grelhada apenas porque não gostava nada do resto das coisas que por lá inventavam. Em Espanha vou me safando com as tapas e alguma carne e em França foi o país onde terei comido melhor, apesar de ter odiado de morte a refeição em decidi comer o que de mais tipico havia. Imaginem Inglaterra.

Lamb? No please, no more lamb. A carne não tinha qualidade, as cebolas não tinham cor, o azeite não tinha aroma. Imaginam um refogado sem cheiro? Foi a minha vida durante 1 ano. A comida não tinha tempero e detesto o puré de batata grosso deles, mais os purés de cenoura, maçã, beringela e tudo aquilo que estiver a jeito. É normal portanto que tenha emagrecido 10 kilos mesmo cozinhando em casa muitas vezes e sim, dava-me ao trabalho de fazer assados e feijoadas só para me deliciar sozinha. Quando a minha irmã me mandava uma alheira pelo correio, era uma felicidade que não imaginam...

Sou uma básica a comer... Gosto de carne, mas não me ponham molhos elaborados que ponho logo de parte. Gosto de arroz mas por favor tirem-me da frente risotto que me deixa agoniada. Gosto de ameijoas, caracois, percebas e adoro camarão tigre, mas não mexo um dedo para ir comer uma lagosta. Não gosto de doces, olho a melhor pastelaria francesa com um ar absolutamente indiferente. Gosto de massas mas só aquelas bem básicas com carne picada, queijo e natas ou vinho, alho e marisco. Morria se comesse um bife tártaro mas adoro os miolos do cabrito e do leitão... Sou tão saloia que a melhor coisa que me podem dar quando estou com fome é chouriço assado na brasa, croquetes de carne ou um prego no pão com queijo e fiambre. Mas o que eu gosto mesmo e me dá prazer comer (porque adoro comer, como adoro cozinhar) é aquilo a que o Miguel Esteves Cardoso chamou recentemente "comida de puta". Salsichas, batatas fritas descascadas à mão com dois belos ovos estrelados. Fico no céu.

Por isso se alguém me quiser levar a jantar e impressionar, já sabem. Levem-me à casa do vossa mãe!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sonhos de um Natal do Futuro...


Segundo dia na cama doente. Primeiro sonhei com carteiras. Carteiras no sono profundo durante a noite, carteiras durante a sesta à tarde. Carteiras e mais carteiras e eu no meio delas, a sorrir de forma parva como só uma mulher consegue aparvalhar com carteiras. Depois passou mais um dia sem ir trabalhar. Trancada em casa, aborrecida, a sentir-me inútil. O sono chegou rápido, tal como a febre, as dores no corpo... E passei a noite a sonhar que era Natal. Era Natal e eu ia passar o Natal sozinha. Uma e outra vez. Algumas pessoas convidavam-me mas não era possível por uma ou outra razão. Eu apercebia-me de que ninguém me queria realmente nas suas casas. Que não tinha uma família no verdadeiro sentido da palavra. Eu era uma mulher perto dos 30 que ia passar o Natal sozinha. Mas não chorava não pensem. Apenas passava os dias em desculpas atrás de desculpas a justificar a minha opção (forçada ou não) natalícia. Sim, foi um pesadelo. Será este o meu maior medo, a metáfora para a minha maior angústia. 30 e sozinha? Nada indica que isso aconteça, mas então porque sofremos a dormir se já há tanto em que pensar acordados. Sub-consciente do meu coração... Hoje posso sonhar com carteiras outra vez? É tão fácil ser fútil...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oscars bet & don't win!


Ora este ano vamos fazer a coisa de uma forma um pouco diferente. Depois de análises extensas e semi-filosóficas, desta toma e muito por força de não ter visto tantos filmes como gostaria vou apresentar as minhas expectativas num esquema de apostas. Uma crença tenho. Esta noite vai ser em função daquilo para que a Academia estiver virada. Já se sabe que todos os anos há uma rajada de vento que parece levar tudo na mesma direcção. (Lobbies diz quem diz que sabe) E assim sendo os vencedores previsiveis podem não ser assim tão previsiveis se a Academia este ano der numas de premiar indepententes, filmes simples, ou um gore tipo o Swan. Isto tudo para dizer: só sei que nada sei... E num ano (once again) sem nenhum filme de nos deixar a vontade de correr para comprar a edicção de coleccionador é assim um bocadinho... Vamos ver o que sai daqui. Mas calma... Oscars são Oscars. Temos sempre os vestidos, os discursos, os espectáculos musicais e este ano até temos James Franco. Querem melhor? Assim sendo aqui vai:

Best Picture

“The Social Network” - 30% probabilidade (Um filme melhor do que aparentemente parece ser. Já falei antes na grande dificuldade que existe em contar histórias simples de forma eximia. Este filme para além de ser irrepreensivel a nivel técnico, conta a história de um ponto de vista original e aperece obviamente no timming perfeito.)

“The King's Speech” - 30% probabilidade (Por ser o mais nomeado. Achei um filme bom mas não 12 oscars bom, mas se a coisa se mantiver dentro do esquema clásssico sairá vencedor.)

“Inception”  -30% probabilidade (Este é seguramente o melhor filme nomeado. Mas é um filme diferente, complexo, que não assenta nos canones da Academia. Será bem entregue a estatueta.)

“Black Swan” - 10% (Guardo um décimo de esperança para este Black Swan. Já sabem que o filme foi uma desilusão para mim, mas é no entanto adorado por muitos. E apesar de ser um género ainda menos consensual do que o Inception, thriler psicológico a cair no gore, podemos ter uma surpresa deste lados).

Directing


“The Social Network” David Fincher - 60% probabilidade (Por ser a melhor direcção e principalmente porque Cristopher Nolan e o seu Inception estão de fora desta categoria. Porque??? É o que muitos se perguntam. Assim sendo Fincher all the way, já o merecia há muito e vai consegui-lo num filme muito diferente de toda a sua filmografia.)

“The King's Speech” Tom Hooper - 30% (Pela mesma lógica do prémio de melhor filme.)

“Black Swan” Darren Aronofsky - 10% (Repito - porque podem querer fazer diferente, e apesar de The Wrestler ser muito melhor do Swan, Aronofsky é um realizador que merece algum destaque. Mas depois claros cínicos como eu iriam perguntar: e o Oscar para o Lynch com Mulholland Drive onde esta. Pois... Diz que que é o vento.)

Actor in a Leading Role


Colin Firth in “The King's Speech” - 50% (Não achei o papel de uma vida mas vai ganhar...) 

Jeff Bridges in “True Grit” - 20% (Só não aposto mais nele porque já venceu o ano passado. Sem dúvida o grande concorrente de Firth.)

James Franco in “127 Hours” - 15% (How cool was to give the firt oscar to the the Oscars host??? E ele até merece e Hollywood adoraaa estas coisas de lágrima no olho.)

Jesse Eisenberg in “The Social Network” - 15% (Irrepreensivel, brilhante até diria eu. É muito jovem e perde por aí mas se calhar nunca fará um desempenho tão bom quanto este)

Actor in a Supporting Role

Christian Bale in “The Fighter” 70% - (Roubou o protagonismo do filme. Bale merece e já nã é a primeira vez...)

Geoffrey Rush in “The King's Speech” - 30% (Na minha opinião tem um desempenho melhor em The King's speech do que o próprio Firth. Adorava que ganhasse, seria provavelmente a estatueta melhor entregue a este filme).

Actress in a Leading Role

Natalie Portman in “Black Swan” -100% (Palavras para quê, sendo a melhor ou não, a imprensa e a opinião pública já lhe entregaram a estatueta, ninguém lhe tira.)
Actress in a Supporting Role

Melissa Leo in “The Fighter” - 65% (The Fighter é um filme de mão cheia em termos de desempenhos, o oscar nesta categoria ficará por aqui.)

Amy Adams in “The Fighter” - 35% (Aspas idem mas com mais crença para a senhora de cima. Antiguidade é posto.)

Animated Feature Film

“Toy Story 3” Lee Unkrich - 100% (Vá... A Academia às vezes pode querer inovar mas não tanto meus senhores!)

Screenplay

Mais uma vez por não ter visto todos os filmes escuso-me a dar opiniões sem fundamento nas categorias técnicas. QUanto aos meus Oscars de eleição, os de argumento, gostaria (não significa: acho que) que o de adaptado fosse para The Social Network e a original para The Inception. Esta é a única categoria onde talvez de The Kids are all right poderá ter alguma hipotese o que me deixaria igualmente satisfeita.


Este ano fui muito simplista, escrevi como quem fala no sofá da sala com amigos e será essa a minha postura para hoje a noite. Não digo "e que ganhe o melhor" porque não acontecerá. Peço então por um bom espectáculo, o melhor do ano em televisão, ora sem dúvida.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Black Swan Review (not a kind one)

* Spoilers*


Leio com perplexidade que Aronofsky diz que este filme pode ser interpretado como uma sequela do The Wrestler. Pelos sacrificios do corpo diz ele. The Wrestler não merece esta comparação. Saí do filme como quem me desse um soco no estomago. Cheguei a casa e liguei a um dos meus melhores amigos, entre lágrimas e desespero disse-lhe: "vamos todos ficar velhos, o nosso corpo vai falhar, vamos ser sombras do que somos". The Wrestler é um filme que caiu no meu goto por primar pelo realismo. Black Swan catalogo num mal conseguido surrealismo.

Mas calma, nem tudo é mau e este filme não tem nota negativa para mim. As expectativas, o Diabo das expectativas, fazem-nos ser mais duros com os nossos julgamentos. Natalie Portman está muito bem, uma performance exaustiva, vivida. Não diria o melhor papel de 2010... Mas aliado ao seu desempenho em Closer a estatueta será bem entregue. Gostei da realização, câmara ao ombro, aqui sim a lembrar The Wrestler. Rendi-me de inicio à fotografia, com um pouco mais de grão que os filmes granulados. Lindissima. E a banda sonora, irrepreensivel, quase ela própria uma personagem do filme.

E depois a desilusão. O filme tem uma permissa excelente: abordar de forma a que não estamos habituados o mundo do ballet. Mostrar o que de mais negro se passa na vida de uma bela bailarina, símbolo de perfeição e feminilidade. O argumento é fraco. E como aprendi já há alguns anos sem bons argumentos é impossivel se fazerem bons filmes. O filme que pretende ser um thriller psicológico cai em cenas desnecessárias de um terror quase gore. A forma como é aproveitada a psicose de Nina cai no ridiculo exagero. Até poderia não ser bem assim se as personagens fossem mais redondas, mas não o são. Mal desenvolvidas, explicadas. A própria Nina, personagem que vai dar um Oscar a Portman poderia ser bem melhor. Um bailarina insipida, que respira demasiado alto, que cansa o espectador. E se uma sexualidade por descobrir pudesse ser aqui a questão, a teoria cai por terra pois após a cena do suposto orgasmo ela continua a dançar de forma contida.
O verdadeiro cisne negro que dever-se-ia ter revelado ao longo do filme, mostra-se nuns curtos 5 minutos de filme. O final? Non Sense. Pretende ser artistico quiçá, a morte dramática que se adivinhava, mas não é o filme já de um dramatismo gratuito para que o final tenha um pouco mais de qualidade? É apenas mais uma incoerencia, a bailarina que parece seguir o destino da sua personagem Odette desde o momento em que ganha o papel mas que quase nunca o mostra. Sim, porque estou a ignorar os sinais óbvios que tiram crédito ao filme como as asas negras tatuadas nas costas de Lili, o "little princess" pelo qual é apelidada no filme do filme... Porque não exploraram melhor esta dicotomia: no fundo Nina é o cisne negro de Beth... Como comecei por dizer uma excelente permissa e um resultado tão aquém...
Cliches? Imensos. O final, a mãe ex bailarina que nunca singrou e que é controladora, a bailarina frigida que após ingerir uns copos e umas drogas torna-se de repente na menina rebelde que faz frente a todos (mas afinal isto é o Alice?), as cenas de sexo que se tornam a certo ponto furtuitas e desnecessárias.
Erros factuais, vários... O Lago dos Cines tem sempre pelo menos 2 bailarinas pois seria fisicamente impossivel que uma suportasse o esforço. Uma bailarina do corpo do bailado NUNCA seria escolhida para prima ballerina até porque, primas ballerinas não são escolhidas através de audiências... A fractura exposta de Beth mostrada de forma anedótica do ponto de vista clinico... Até as próprias cenas de bailado são fraquinhas em si e salvo rara excepções não mostram nada de arrebatador do que eu esperava. Um sem fim de pequenas coisas que me fizeram abanar a cabeça durante o filme e pensar: Damn it, estão a estragar tudo.

Poderíamos pensar nisto tudo como um universo paralelo sustentado pela dupla personalidade de Nina e a sua esquizofrenia. Podiamos pensar num meta-texto. Numa metáfora dentro de outra... Como eu gostaria que assim fosse, mas nenhuma destas mais rebuscadas suposições tem pernas para andar no filme. The plot has so many flaws as Nina herself... Entristeceu-me. Por Portman e pricipalmente por Aronofsky.

Atenção! Eu gostei de ter visto o filme, principalmente para seguir a filmografia de Aronofsky e para poder formar uma opinião sobre o tão balado filme. Compreendo porque tanta gente o tenha adorado, mas eu... Esperava muito mais e talvez daí esta critica seja tão dura. Mas esta não é uma critica a um qualquer filme que está no cinema. É uma critica a um filme que está nomeado a 5 oscares e tem a média de 8,6 estrelas no IMDB. Quem estará errado, eu ou o resto do mundo que o aplaudiu? Como disse, não é um mau filme. Eu é que sou exigente com os meus padrões. 13/20

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Aqui estão esles!!!

Desconfio que esta temporada será muito boa! Bienvenue Gossip loverssss...

sábado, 22 de maio de 2010

A cidade do meu sonho


Há uma cidade onde vou recorrentemente nos meus sonhos. São sonhos agitados, ansiosos. Parece-me que essa cidade vive um clima de tensão. Sei que tem um rio e nas duas margens se debatem povos diferentes através da venda do seu artesanato. Mas num passeio por esse rio já assisti a agressões entre os oponentes. Parecem-me todos arábes mas há algo de diferente naqueles que estão na margem do rio que não alcanço. Como se pertencessem a uma década diferente, talvez um século. De resto toda a cidade está parada no tempo. Os restaurantes são uniformes e servem todos os mesmo pratos enfadonhos e mal preparados. As lojas vendem posters dos artistas dos anos 60 e de grandes êxitos do cinema dos anos 70. Apesar de muçulmanos (creio) só vejo referências ao passado do mundo ocidental. A cidade tem mar e um porto e nesse porto há um restaurante/ barco que é dirigido por portugueses. Comi lá um pastel de nata e bebi um chá de camomila, mas não pude comer o prato do dia, filetes de pescada com arroz de tomate porque já tinha terminado. Lá contam-me que naquele mar, anos antes houve uma grande tragédia, com um barco a afundar-se levando centenas de pessoas com ele. Olho para o mar com apreensão temendo que me aconteça o mesmo quando o meu ferry chegar. Penso nos cadáveres que ainda estarão no fundo da água.
Esta noite sonhei pela primeira vez que estava numa das casas dessa cidade. Creio que não vivia lá, porque continuava a sentir-me emprestada, mas dormi nas camas de ferro velho e cozinhei na cozinha, onde o que mais abundava era o cheiro e presença de óleo queimado. Comi, tal como em todos os outros restaurantes, batatas fritas com um bocado de carne seca. Ao sair de casa percebi que estava num bairro pobre e algumas pessoas saudavam-me como se me conhecessem. Eu estava descalça e o caminho era em pedra, magoando-me os pés. Sei que a cidade tem uma espécie de montanha onde se encontra uma igreja e com confusão constato que me parece uma igreja cristã. Já subi essa montanha e recordo-me que fiquei cansada quando o fiz, encontrando pouco mais que os vendedores de artesanato velho e mal encavacado que também estão nas margens do rio. Não sei onde fica esta cidade, nem sei se quero lá voltar, mas gostava de entender porque a visito tão frequentemente a dormir.

PS- Todos os sonhos descritos aconteceram neste último mês e não há gota de ficção nesta descrição.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O post dos filmes...

Mais uma vez a redutora classificação de 0 a 20 nos filmes que tenho visto (Dvd not included). Não me levem a mal, mas não tenho tempo, nem paciência para falar de todos e cada um. A classificação pode até parecer despropositada de filme para filme, mas um dos critérios principais é a genialidade do filme dentro do género cinematográfico em que se integram.
Destaque para um: The Messenger de Oren Moverman com Woody Harrelson e Ben Foster. Já aqui tinha escrito que Foster merecia que lhe dessemos atenção. E para já não me desiludiu. O filme é um retrato nu, do Iraque que não se fala tanto. Daqueles que voltam e têm de lidar com os seus fantasmas, aqueles que nunca foram e a frustração que daí advêm e as famílias que mesmo lidando com previsiveis perdas, não entendem como é possível perderem um filho ou um marido. Um claro 16. O filme tem uma fotografia e montagem admirável, uma história contundente e um final que sem ser feliz, eu considero perfeito.
Vamos aos outros:
Up in the Air - 17
Inglorious Basterds - 17
Up - 13
Avatar - 13
Precious - 16
The Blind Side - 15
An Education - 15
Sherlock Holmes - 16
Alice in Wonderland - 15
Valentine's Day - 12
Personal Effect's - 15
Spread - 14
The Damned United - 15
The Young Victoria - 15
Taking Woodstock - 16
Elegy - 17
Shutter Island - 14
Invictus - 14
Dúvidas ou comentário acerca de alguma nota, enviem e-mail ou deixem um comentário. Em breve novo apanhado de filmes. Até lá.

domingo, 7 de março de 2010

Here they are again!


Mais um ano e tal como manda a tradição, aqui estou eu com as minhas previsões barra/ desejos para os Oscars desta noite. A 82ª edição da cerimónia mais vista do mundo surpreendeu ao dobrar o nímero de filmes nomeados e a minha pergunta é: Porquê??? Eu vi 70% dos filmes (são dez, as contas são fáceis) graças ao brilhante delay que há em Portugal. Só para dar um exemplo o filme "The Damned United" que eu vi em Bristol em Março/Abril 09, estreia somente este mês aqui.


Voltando aos 10 magníficos e relembrando o ano passado este é um ano fraco, muito fraco para o cinema. Não há nenhuma estrela, nenhum independente de sonho, nenhuma interpretação de deixar o queixo escancarado. Ou se calhar sou eu que com os anos e os estudos fiquei mais cínica em relação ao cinema. Para contrariar isto digo-vos que ontem à noite vi o Forrest Gump pela blablabla vez e não houve um momento em que não pensasse: Robert Zemeckis, son of a gun, what a hell of a story teller.


Nenhum dos filmes é surpreendentemente bom, apesar de manterem um nível muito equitativo. Alguns são bons filmes que se vêm com alguma facilidade. (A simplicidade este ano está a enervar-me, deve ser mesmo do cinismo) e outros statements ideológicos como o dos Cohen ou os relativos ao Iraque. Não vou sequer falar do pequenino UP, um filme de animação nos nomeados, tem a sua piada, entrou para a hostória e é tudo.


Vamos por partes então.... Melhor Filme. Eu acho que o melhor filme deste ano é Up in the Air, a história que mais me comoveu e talvez com as melhoes interpretações. Acho dificil que ganhe. O Oscar irá para Avatar, o que me deixará naturalmente triste porque evolução tecnológica não é sinónimo de qualidade. A história é básica e previsivel. E não me venham falar "ai que lindo a floresta no 3D". Florestas não ganham Oscars, vejam o Alice ou explorem as potencialidades do LSD. O outro vencedor previsivel será Hurt Locker, vencedor dos Baftas. Hollywood e Iraque têm uma história de desencontros, mas seria um final, mais ou menos feliz para a noite de hoje.
Para Melhor Realizador acontecerá o mesmo, merecia Jason Reitman com Up in the Air e com filmes como Juno na filmografia. Ganhará Cameron ou a sua ex mulher Kathryn Bigelow com Hurt Locker, a primeira mulher a ser galardoada, um pormenor de peso na minha opinião. Tarantino com os Basterds será uma surpresa agradável e um prémio de carreira merecido.


Actores. Clooney irá (so help me God) arrebatar o Oscar de Melhor Actor, com uma possivel surpresa vinda dos lados de Colin Firth. Actor Secundário é garantidamente de Cristoph Waltz pela sua brilhante interpretação no Inglorious Basterds. Bullock ganhará o de Melhor Actriz, não por ser o papel da vida dela, mas como o reconhecimento de uma carreira, para além de que The Blind Side é um filme enternecedor e biográfico o que dá sempre uma ajudinha nestas coisas. Carey Mulligan está muito bem em The Education, um filme que gostei particularmente e acho que será uma alternativa interessante. Se no Waltz aposto todas as minhas fichas, em MO'nique aposto metade do que tenho. A actriz tem um papel fortissimo em Precious, absolutamente arrepiante e certamente desgastante. Contra ela tem Farmiga de Up in the Air e Penelope Cruz do Nine. Acho que justiça será feita para Actriz Secundária.


Argumentos, a minha categoria favorita. Melhor Adaptado será, e aqui sim são premiadas produções independentes menos, muito menos comerciais, certamente para Up in the Air. Original aposto em Inglorious Basterds e acho que será um justo vencedor. Aliás, o Basterds é um bom filme excelente no género Tarantino e apenas assim. E aqui serão vocês os cínicos senão concordarem.


Por fim Melhor Animação irá naturalmente para Up. Acho que não haverá um vencedor com mais de 6 ou 7 Oscars e nas categorias mais técnicas será extremamente dividido. Não comento estrangeiros e documentários porque infelizmente não os conheço (Shame on me).


Uma boa noite de Oscars, derreto-me com os vestidos e estou curiosa para ver como a dupla Steve Martin/ Alec Baldwin se sai. E a entrada.... Ah a deliciosa entrada.... See you all tomorrow guys!