Hoje fui ver um filme de terror ao cinema. Já não o fazia há muito tempo mas pareceu-me um bom programa de meninas em plena silly season. O filme de seu nome Insidious era mau, pior. Era péssimo... E mesmo dentro do ridiculo de figuras com mãos feitas de lâminas (Tim Burton dear, nada bate o teu genial Edward) aquilo meteu-me imenso medo.
Temos medo do que não conhecemos é sabido... E o filme explorava de forma sofrivel o mundo dos que não fizeram a "passagem" e que ficam aqui para nos atormentar em sonhos e não só. A famosa temática dos exorcismos que sempre me arrepiou de morte (lagarto, lagarto, lagarto) e aquele pormenor das presenças, encostos ou o raio que os parta.... O final do filme era aberto e mesmo tendo sido tão mau saí de lá a tremer.
A ficçāo, ai a ficção, quantas vezes não falei do poder dela nas minha vida. Lembro-me bem de um dia escrever algo como "estou a chorar baba e ranho com um romance que nem sequer é bom, há coisas na vida mais fortes do que nós e a ficção é uma delas". É mais forte do que eu, incomoda-me, entranha-se em mim, não tenho como negá-lo por mais pateta que pareça.
No fim do filme já estava eu a ouvir barulhos estranhos, a sentir toques nos ombros, a ver sombras sinistras quando começam elas com a típica conversa que qualquer mulher tem depois de um filme destes: contar as suas próprias histórias do sobrenatural... E mesmo com os meus pedidos de "ahhhh parem não quero ouvir" de nada adiantou porque o entusiasmo alheio era muito e eu com as māos no volante não conseguia tapar os ouvidos... A curiosidade, que é mesmo mórbida lá me levou a ouvir com atenção as histórias e até fazer uma outra pergunta.
Cheguei a casa petrificada. E se me acontecesse o mesmo já esta noite? E depois tentei fazer o exercício que fazia quando era pequenina e via os filmes do Chucky, em que olhava desconfiada para as dezenas de bonecos espalhados pelo quarto e cuidadosamente ia dar um beijo a cada um e deitá-los para dormir na esperança que tivessem pena de mim por eu até os tratar bem. E quando no escuro imaginava que umas perninhas de borracha se encaminhavam na minha direcção tinha o discernimento de me dizer: "Mas porquê que isto te haveria de acontecer hoje? Só porque viste o filme? Isso não faz sentido nenhum." E tentando acreditar na lógica lá adormecia. Como hoje espero adormecer sem pesadelos (porque as histórias reais mesmo com muitos salpicos de imaginação são bem mais assustadoras do que filmes e com estas coisas sou mesmo mariquinhas) e ignorando barulhos de portas a bater a meia da noite...
E no meio de tudo isto acabei por me lembrar de uma frase que Hitchcock dizia com frequência quando alguns dos seus actores tinha dúvidas em relação às suas personagens ou se levava demasiado a sério nas suas interpretações. Dizia "isto é só um filme". E um por um todos à sua volta voltavam ao trabalho na crença que ele tinha razão. Hitchcock porém nunca acreditou nele próprio e por alguma coisa queria que na sua lápide dissesse: Isto é o que acontece aos meninos que se portam mal...
Eu até sou boa menina está bem? E isto foi só um filme...








