domingo, 27 de fevereiro de 2011

Oscars bet & don't win!


Ora este ano vamos fazer a coisa de uma forma um pouco diferente. Depois de análises extensas e semi-filosóficas, desta toma e muito por força de não ter visto tantos filmes como gostaria vou apresentar as minhas expectativas num esquema de apostas. Uma crença tenho. Esta noite vai ser em função daquilo para que a Academia estiver virada. Já se sabe que todos os anos há uma rajada de vento que parece levar tudo na mesma direcção. (Lobbies diz quem diz que sabe) E assim sendo os vencedores previsiveis podem não ser assim tão previsiveis se a Academia este ano der numas de premiar indepententes, filmes simples, ou um gore tipo o Swan. Isto tudo para dizer: só sei que nada sei... E num ano (once again) sem nenhum filme de nos deixar a vontade de correr para comprar a edicção de coleccionador é assim um bocadinho... Vamos ver o que sai daqui. Mas calma... Oscars são Oscars. Temos sempre os vestidos, os discursos, os espectáculos musicais e este ano até temos James Franco. Querem melhor? Assim sendo aqui vai:

Best Picture

“The Social Network” - 30% probabilidade (Um filme melhor do que aparentemente parece ser. Já falei antes na grande dificuldade que existe em contar histórias simples de forma eximia. Este filme para além de ser irrepreensivel a nivel técnico, conta a história de um ponto de vista original e aperece obviamente no timming perfeito.)

“The King's Speech” - 30% probabilidade (Por ser o mais nomeado. Achei um filme bom mas não 12 oscars bom, mas se a coisa se mantiver dentro do esquema clásssico sairá vencedor.)

“Inception”  -30% probabilidade (Este é seguramente o melhor filme nomeado. Mas é um filme diferente, complexo, que não assenta nos canones da Academia. Será bem entregue a estatueta.)

“Black Swan” - 10% (Guardo um décimo de esperança para este Black Swan. Já sabem que o filme foi uma desilusão para mim, mas é no entanto adorado por muitos. E apesar de ser um género ainda menos consensual do que o Inception, thriler psicológico a cair no gore, podemos ter uma surpresa deste lados).

Directing


“The Social Network” David Fincher - 60% probabilidade (Por ser a melhor direcção e principalmente porque Cristopher Nolan e o seu Inception estão de fora desta categoria. Porque??? É o que muitos se perguntam. Assim sendo Fincher all the way, já o merecia há muito e vai consegui-lo num filme muito diferente de toda a sua filmografia.)

“The King's Speech” Tom Hooper - 30% (Pela mesma lógica do prémio de melhor filme.)

“Black Swan” Darren Aronofsky - 10% (Repito - porque podem querer fazer diferente, e apesar de The Wrestler ser muito melhor do Swan, Aronofsky é um realizador que merece algum destaque. Mas depois claros cínicos como eu iriam perguntar: e o Oscar para o Lynch com Mulholland Drive onde esta. Pois... Diz que que é o vento.)

Actor in a Leading Role


Colin Firth in “The King's Speech” - 50% (Não achei o papel de uma vida mas vai ganhar...) 

Jeff Bridges in “True Grit” - 20% (Só não aposto mais nele porque já venceu o ano passado. Sem dúvida o grande concorrente de Firth.)

James Franco in “127 Hours” - 15% (How cool was to give the firt oscar to the the Oscars host??? E ele até merece e Hollywood adoraaa estas coisas de lágrima no olho.)

Jesse Eisenberg in “The Social Network” - 15% (Irrepreensivel, brilhante até diria eu. É muito jovem e perde por aí mas se calhar nunca fará um desempenho tão bom quanto este)

Actor in a Supporting Role

Christian Bale in “The Fighter” 70% - (Roubou o protagonismo do filme. Bale merece e já nã é a primeira vez...)

Geoffrey Rush in “The King's Speech” - 30% (Na minha opinião tem um desempenho melhor em The King's speech do que o próprio Firth. Adorava que ganhasse, seria provavelmente a estatueta melhor entregue a este filme).

Actress in a Leading Role

Natalie Portman in “Black Swan” -100% (Palavras para quê, sendo a melhor ou não, a imprensa e a opinião pública já lhe entregaram a estatueta, ninguém lhe tira.)
Actress in a Supporting Role

Melissa Leo in “The Fighter” - 65% (The Fighter é um filme de mão cheia em termos de desempenhos, o oscar nesta categoria ficará por aqui.)

Amy Adams in “The Fighter” - 35% (Aspas idem mas com mais crença para a senhora de cima. Antiguidade é posto.)

Animated Feature Film

“Toy Story 3” Lee Unkrich - 100% (Vá... A Academia às vezes pode querer inovar mas não tanto meus senhores!)

Screenplay

Mais uma vez por não ter visto todos os filmes escuso-me a dar opiniões sem fundamento nas categorias técnicas. QUanto aos meus Oscars de eleição, os de argumento, gostaria (não significa: acho que) que o de adaptado fosse para The Social Network e a original para The Inception. Esta é a única categoria onde talvez de The Kids are all right poderá ter alguma hipotese o que me deixaria igualmente satisfeita.


Este ano fui muito simplista, escrevi como quem fala no sofá da sala com amigos e será essa a minha postura para hoje a noite. Não digo "e que ganhe o melhor" porque não acontecerá. Peço então por um bom espectáculo, o melhor do ano em televisão, ora sem dúvida.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Black Swan Review (not a kind one)

* Spoilers*


Leio com perplexidade que Aronofsky diz que este filme pode ser interpretado como uma sequela do The Wrestler. Pelos sacrificios do corpo diz ele. The Wrestler não merece esta comparação. Saí do filme como quem me desse um soco no estomago. Cheguei a casa e liguei a um dos meus melhores amigos, entre lágrimas e desespero disse-lhe: "vamos todos ficar velhos, o nosso corpo vai falhar, vamos ser sombras do que somos". The Wrestler é um filme que caiu no meu goto por primar pelo realismo. Black Swan catalogo num mal conseguido surrealismo.

Mas calma, nem tudo é mau e este filme não tem nota negativa para mim. As expectativas, o Diabo das expectativas, fazem-nos ser mais duros com os nossos julgamentos. Natalie Portman está muito bem, uma performance exaustiva, vivida. Não diria o melhor papel de 2010... Mas aliado ao seu desempenho em Closer a estatueta será bem entregue. Gostei da realização, câmara ao ombro, aqui sim a lembrar The Wrestler. Rendi-me de inicio à fotografia, com um pouco mais de grão que os filmes granulados. Lindissima. E a banda sonora, irrepreensivel, quase ela própria uma personagem do filme.

E depois a desilusão. O filme tem uma permissa excelente: abordar de forma a que não estamos habituados o mundo do ballet. Mostrar o que de mais negro se passa na vida de uma bela bailarina, símbolo de perfeição e feminilidade. O argumento é fraco. E como aprendi já há alguns anos sem bons argumentos é impossivel se fazerem bons filmes. O filme que pretende ser um thriller psicológico cai em cenas desnecessárias de um terror quase gore. A forma como é aproveitada a psicose de Nina cai no ridiculo exagero. Até poderia não ser bem assim se as personagens fossem mais redondas, mas não o são. Mal desenvolvidas, explicadas. A própria Nina, personagem que vai dar um Oscar a Portman poderia ser bem melhor. Um bailarina insipida, que respira demasiado alto, que cansa o espectador. E se uma sexualidade por descobrir pudesse ser aqui a questão, a teoria cai por terra pois após a cena do suposto orgasmo ela continua a dançar de forma contida.
O verdadeiro cisne negro que dever-se-ia ter revelado ao longo do filme, mostra-se nuns curtos 5 minutos de filme. O final? Non Sense. Pretende ser artistico quiçá, a morte dramática que se adivinhava, mas não é o filme já de um dramatismo gratuito para que o final tenha um pouco mais de qualidade? É apenas mais uma incoerencia, a bailarina que parece seguir o destino da sua personagem Odette desde o momento em que ganha o papel mas que quase nunca o mostra. Sim, porque estou a ignorar os sinais óbvios que tiram crédito ao filme como as asas negras tatuadas nas costas de Lili, o "little princess" pelo qual é apelidada no filme do filme... Porque não exploraram melhor esta dicotomia: no fundo Nina é o cisne negro de Beth... Como comecei por dizer uma excelente permissa e um resultado tão aquém...
Cliches? Imensos. O final, a mãe ex bailarina que nunca singrou e que é controladora, a bailarina frigida que após ingerir uns copos e umas drogas torna-se de repente na menina rebelde que faz frente a todos (mas afinal isto é o Alice?), as cenas de sexo que se tornam a certo ponto furtuitas e desnecessárias.
Erros factuais, vários... O Lago dos Cines tem sempre pelo menos 2 bailarinas pois seria fisicamente impossivel que uma suportasse o esforço. Uma bailarina do corpo do bailado NUNCA seria escolhida para prima ballerina até porque, primas ballerinas não são escolhidas através de audiências... A fractura exposta de Beth mostrada de forma anedótica do ponto de vista clinico... Até as próprias cenas de bailado são fraquinhas em si e salvo rara excepções não mostram nada de arrebatador do que eu esperava. Um sem fim de pequenas coisas que me fizeram abanar a cabeça durante o filme e pensar: Damn it, estão a estragar tudo.

Poderíamos pensar nisto tudo como um universo paralelo sustentado pela dupla personalidade de Nina e a sua esquizofrenia. Podiamos pensar num meta-texto. Numa metáfora dentro de outra... Como eu gostaria que assim fosse, mas nenhuma destas mais rebuscadas suposições tem pernas para andar no filme. The plot has so many flaws as Nina herself... Entristeceu-me. Por Portman e pricipalmente por Aronofsky.

Atenção! Eu gostei de ter visto o filme, principalmente para seguir a filmografia de Aronofsky e para poder formar uma opinião sobre o tão balado filme. Compreendo porque tanta gente o tenha adorado, mas eu... Esperava muito mais e talvez daí esta critica seja tão dura. Mas esta não é uma critica a um qualquer filme que está no cinema. É uma critica a um filme que está nomeado a 5 oscares e tem a média de 8,6 estrelas no IMDB. Quem estará errado, eu ou o resto do mundo que o aplaudiu? Como disse, não é um mau filme. Eu é que sou exigente com os meus padrões. 13/20

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Aqui estão esles!!!

Desconfio que esta temporada será muito boa! Bienvenue Gossip loverssss...

sábado, 22 de maio de 2010

A cidade do meu sonho


Há uma cidade onde vou recorrentemente nos meus sonhos. São sonhos agitados, ansiosos. Parece-me que essa cidade vive um clima de tensão. Sei que tem um rio e nas duas margens se debatem povos diferentes através da venda do seu artesanato. Mas num passeio por esse rio já assisti a agressões entre os oponentes. Parecem-me todos arábes mas há algo de diferente naqueles que estão na margem do rio que não alcanço. Como se pertencessem a uma década diferente, talvez um século. De resto toda a cidade está parada no tempo. Os restaurantes são uniformes e servem todos os mesmo pratos enfadonhos e mal preparados. As lojas vendem posters dos artistas dos anos 60 e de grandes êxitos do cinema dos anos 70. Apesar de muçulmanos (creio) só vejo referências ao passado do mundo ocidental. A cidade tem mar e um porto e nesse porto há um restaurante/ barco que é dirigido por portugueses. Comi lá um pastel de nata e bebi um chá de camomila, mas não pude comer o prato do dia, filetes de pescada com arroz de tomate porque já tinha terminado. Lá contam-me que naquele mar, anos antes houve uma grande tragédia, com um barco a afundar-se levando centenas de pessoas com ele. Olho para o mar com apreensão temendo que me aconteça o mesmo quando o meu ferry chegar. Penso nos cadáveres que ainda estarão no fundo da água.
Esta noite sonhei pela primeira vez que estava numa das casas dessa cidade. Creio que não vivia lá, porque continuava a sentir-me emprestada, mas dormi nas camas de ferro velho e cozinhei na cozinha, onde o que mais abundava era o cheiro e presença de óleo queimado. Comi, tal como em todos os outros restaurantes, batatas fritas com um bocado de carne seca. Ao sair de casa percebi que estava num bairro pobre e algumas pessoas saudavam-me como se me conhecessem. Eu estava descalça e o caminho era em pedra, magoando-me os pés. Sei que a cidade tem uma espécie de montanha onde se encontra uma igreja e com confusão constato que me parece uma igreja cristã. Já subi essa montanha e recordo-me que fiquei cansada quando o fiz, encontrando pouco mais que os vendedores de artesanato velho e mal encavacado que também estão nas margens do rio. Não sei onde fica esta cidade, nem sei se quero lá voltar, mas gostava de entender porque a visito tão frequentemente a dormir.

PS- Todos os sonhos descritos aconteceram neste último mês e não há gota de ficção nesta descrição.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O post dos filmes...

Mais uma vez a redutora classificação de 0 a 20 nos filmes que tenho visto (Dvd not included). Não me levem a mal, mas não tenho tempo, nem paciência para falar de todos e cada um. A classificação pode até parecer despropositada de filme para filme, mas um dos critérios principais é a genialidade do filme dentro do género cinematográfico em que se integram.
Destaque para um: The Messenger de Oren Moverman com Woody Harrelson e Ben Foster. Já aqui tinha escrito que Foster merecia que lhe dessemos atenção. E para já não me desiludiu. O filme é um retrato nu, do Iraque que não se fala tanto. Daqueles que voltam e têm de lidar com os seus fantasmas, aqueles que nunca foram e a frustração que daí advêm e as famílias que mesmo lidando com previsiveis perdas, não entendem como é possível perderem um filho ou um marido. Um claro 16. O filme tem uma fotografia e montagem admirável, uma história contundente e um final que sem ser feliz, eu considero perfeito.
Vamos aos outros:
Up in the Air - 17
Inglorious Basterds - 17
Up - 13
Avatar - 13
Precious - 16
The Blind Side - 15
An Education - 15
Sherlock Holmes - 16
Alice in Wonderland - 15
Valentine's Day - 12
Personal Effect's - 15
Spread - 14
The Damned United - 15
The Young Victoria - 15
Taking Woodstock - 16
Elegy - 17
Shutter Island - 14
Invictus - 14
Dúvidas ou comentário acerca de alguma nota, enviem e-mail ou deixem um comentário. Em breve novo apanhado de filmes. Até lá.

domingo, 7 de março de 2010

Here they are again!


Mais um ano e tal como manda a tradição, aqui estou eu com as minhas previsões barra/ desejos para os Oscars desta noite. A 82ª edição da cerimónia mais vista do mundo surpreendeu ao dobrar o nímero de filmes nomeados e a minha pergunta é: Porquê??? Eu vi 70% dos filmes (são dez, as contas são fáceis) graças ao brilhante delay que há em Portugal. Só para dar um exemplo o filme "The Damned United" que eu vi em Bristol em Março/Abril 09, estreia somente este mês aqui.


Voltando aos 10 magníficos e relembrando o ano passado este é um ano fraco, muito fraco para o cinema. Não há nenhuma estrela, nenhum independente de sonho, nenhuma interpretação de deixar o queixo escancarado. Ou se calhar sou eu que com os anos e os estudos fiquei mais cínica em relação ao cinema. Para contrariar isto digo-vos que ontem à noite vi o Forrest Gump pela blablabla vez e não houve um momento em que não pensasse: Robert Zemeckis, son of a gun, what a hell of a story teller.


Nenhum dos filmes é surpreendentemente bom, apesar de manterem um nível muito equitativo. Alguns são bons filmes que se vêm com alguma facilidade. (A simplicidade este ano está a enervar-me, deve ser mesmo do cinismo) e outros statements ideológicos como o dos Cohen ou os relativos ao Iraque. Não vou sequer falar do pequenino UP, um filme de animação nos nomeados, tem a sua piada, entrou para a hostória e é tudo.


Vamos por partes então.... Melhor Filme. Eu acho que o melhor filme deste ano é Up in the Air, a história que mais me comoveu e talvez com as melhoes interpretações. Acho dificil que ganhe. O Oscar irá para Avatar, o que me deixará naturalmente triste porque evolução tecnológica não é sinónimo de qualidade. A história é básica e previsivel. E não me venham falar "ai que lindo a floresta no 3D". Florestas não ganham Oscars, vejam o Alice ou explorem as potencialidades do LSD. O outro vencedor previsivel será Hurt Locker, vencedor dos Baftas. Hollywood e Iraque têm uma história de desencontros, mas seria um final, mais ou menos feliz para a noite de hoje.
Para Melhor Realizador acontecerá o mesmo, merecia Jason Reitman com Up in the Air e com filmes como Juno na filmografia. Ganhará Cameron ou a sua ex mulher Kathryn Bigelow com Hurt Locker, a primeira mulher a ser galardoada, um pormenor de peso na minha opinião. Tarantino com os Basterds será uma surpresa agradável e um prémio de carreira merecido.


Actores. Clooney irá (so help me God) arrebatar o Oscar de Melhor Actor, com uma possivel surpresa vinda dos lados de Colin Firth. Actor Secundário é garantidamente de Cristoph Waltz pela sua brilhante interpretação no Inglorious Basterds. Bullock ganhará o de Melhor Actriz, não por ser o papel da vida dela, mas como o reconhecimento de uma carreira, para além de que The Blind Side é um filme enternecedor e biográfico o que dá sempre uma ajudinha nestas coisas. Carey Mulligan está muito bem em The Education, um filme que gostei particularmente e acho que será uma alternativa interessante. Se no Waltz aposto todas as minhas fichas, em MO'nique aposto metade do que tenho. A actriz tem um papel fortissimo em Precious, absolutamente arrepiante e certamente desgastante. Contra ela tem Farmiga de Up in the Air e Penelope Cruz do Nine. Acho que justiça será feita para Actriz Secundária.


Argumentos, a minha categoria favorita. Melhor Adaptado será, e aqui sim são premiadas produções independentes menos, muito menos comerciais, certamente para Up in the Air. Original aposto em Inglorious Basterds e acho que será um justo vencedor. Aliás, o Basterds é um bom filme excelente no género Tarantino e apenas assim. E aqui serão vocês os cínicos senão concordarem.


Por fim Melhor Animação irá naturalmente para Up. Acho que não haverá um vencedor com mais de 6 ou 7 Oscars e nas categorias mais técnicas será extremamente dividido. Não comento estrangeiros e documentários porque infelizmente não os conheço (Shame on me).


Uma boa noite de Oscars, derreto-me com os vestidos e estou curiosa para ver como a dupla Steve Martin/ Alec Baldwin se sai. E a entrada.... Ah a deliciosa entrada.... See you all tomorrow guys!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Prólogo do meu wannabe book Reflexo Inato.

Vou nas 80 e tal páginas a4, arial 10. O livro está meio encalhadito, se calhar já sou demasiado crescida para o escrever. A história é interessante e acho que a adaptação a um argumento é uma ideia a pensar. Aqui fica a sinopse e a seguir o prólogo escrito em 2005.
Um homem dividido entre uma criança que é uma mulher e uma mulher que é uma criança. Uma alma perdida, porém não esquecida, que se passeia entre os destroços do que foi e do que poderia ter sido. Quatro pessoas ligadas por uma teia de vivências, emoções e desilusões. A verdade de cada um na mentira universal do amor, da amizade e da felicidade.

- Quando chegou eram cinco horas da tarde. A casa estava fria, silenciosa e triste. Alegrou-se por não ter de encarar nenhum dos rostos repressivos que habitualmente a recebiam. Atravessou rapidamente a sala e o corredor dos quartos, não fosse haver alguma alma esquecida por ali. Entrou no seu quarto e fechou rapidamente a porta atrás de si. Rodou a chave, uma, duas vezes. Espreitou pelo buraco da fechadura. Aparentemente estava mesmo sozinha.
Fundindo as suas costas com a porta, percorreu com o olhar o quarto. Continuava exactamente igual à última vez que lá tinha estado. As cortinas brancas imaculadas condiziam com a colcha branca da cama. Uma rosa branca natural, figurava em cima da cómoda juntamente com a imensidão de molduras, contendo fotografias de todos e de ninguém. Não lhe tinha cabido a decisão da presença de grande parte daquelas imagens no seu quarto, no entanto havia algumas pelas quais agradecia a invasão do seu espaço. Pegou na moldura que estava mais à frente, bem à frente, dos seus olhos. Era uma moldura em prata, que julgava conhecer desde sempre naquela casa. Levou-a da sala para o seu quarto fazia uns anos. Ninguém julgou se importar. Passando a barreira do vidro, estava a fotografia dos seus avós poucos dias antes de se casarem. Eram parecidos, poder-se-iam até confundir com irmãos, e nos seus sorrisos havia uma harmonia, que ela nunca tinha conhecido em casal algum. Agarrou a moldura contra o seu peito, metáfora viva dos seus velhos mortos, e ligou a aparelhagem. Tinha no leitor uma cassete que um amigo lhe tinha gravado, no tempo em que partilhavam confidências. Tocava “Boys Don’t Cry”. Sorriu. Gostava daquela música. Teve vontade de dançar. Começou a cantar a letra que conhecia tão bem e a mover o seu corpo por todo o quarto. Esgueirava-se por cima da cama, apalpava as paredes com a nuca, alçava as pernas num movimento rápido ao passar pelo sofá. Cantava, cantava e ria. Ria como já há muito não seria possível ouvi-la rir. Sentia-se bem no branco daquele quarto que contrastava com o vermelho da sua alma. Sentia-se em paz. Olhava-se em cada espelho, fazia boquinhas, caretas, poses. E rodava, rodava. Era como se a imagem que visse no espelho não fosse a sua. Como se aquela rapariga, parecida consigo, tivesse uma diferente história. Que nunca tivesse chorado as suas lágrimas nem as feito chorar aos seus.
Apercebeu-se que num dos cantos da moldura que suportava o pequeno espelho em cima da cómoda, estava presa uma fotografia. Em ritmo acelerado, cantando o refrão da música, aproximou-se para ver do que se tratava. Era a fotografia de uma menina com cerca de três ou quatro anos. Parou de cantar, de andar, de dançar. Reconheceu a menina da foto.
Olhou mais atentamente, sentindo as suas pálpebras a tremer. Ariana tinha o cabelo loiro, quase branco. Vestia um vestido azul-bebé, que deixava à mostra os seus joelhos gordos de criança. Lembrou-se de como Ariana gostava de vestir aquele vestido. Lembrou-se da sua sede de aprender e conhecer o mundo, do seu desejo de ser uma grande mulher. Deslocou os olhos da fotografia para o espelho. Olhou para dentro das suas pupilas. Olhou para dentro de si.
Estava suja e cansada. Estava destruída. O que foi e no que se tinha tornado. Incapaz de encarar Ariana menina e Ariana mulher, arremessou a pesada moldura que ainda mantinha nas mãos contra o espelho.Desfez-se em quatro grandes pedaços. Sete anos de azar, é o que dizem.
“Eles não sabem, nem sonham”.

sábado, 28 de novembro de 2009

Há malucos para tudo....

Ontem na sala de espera de um médico de especialidade dúbia, trocavam-se conversas e intimidades só possiveis neste tipo de situações. Não posso revelar o conteúdo da maior parte delas, porque de tão inusitadamente pessoais chocariam o mais sereno dos leitores. Basta dizer que estava com a minha madrasta (9 anos + velha do que eu) e que nas sete horas que estivemos naquela sala de espera, quase perdemos o fôlego de tanto falar. E enquanto a minha madrasta aproveitava para disferir pancadas nas costas e nos braços de qualquer pessoa que dizia uma piada, qual anti-stress, eu entre gargalhadas e o ar mais composto que consegui fazer contava às senhoras presentes (quando senhores estavam limitavamo-nos a falar de comida e mortes) as minhas experiências com vibradores e afins que apesar de metade inventadas provocavam nas senhoras e principalmente em mim um prazer brutal só de olhar para as suas carinhas. A conversa evoluiu naturalmente para a troca de vivências e coro só de contar o que essas senhoras me contaram. Juro que aquelas sete horas compactadas numa longa metragem de duas horas seriam de maior interesse desde o cineasta ou antropológo ao historiador. Depois de se contarem rotinas de higiene vaginais, a frequência com que os marido os procurava para sexo e afins (imaginem os afins) chegámos ao cerne da questão... O motivo pelo qual estavamos naquela sala de espera que nem era de um ginecologista. Ora que fala a vozinha até agora histérica da senhora/ saco de porrada da minha madrasta, e conta-nos que está ali porque tem medo de comer carne. Medo??? Sim, medo de se engasgar. Só come carne picada ou salsichas e ainda assim tem de ser com o marido ao lado porque sabe que só ele é forte suficiente para lhe dar uma pancada nas costas e a fazer cuspir o bocado enganador. Ora... Se eu achava que duas dondocas de Guimarães que vão para a sala de espera de um consultório médico contar uma vida imaginária misturada com as maiores das verdades (tudo o que possa chocar mais os presentes)são na realidade umas idiotas em part-time sem nada para fazer (and yes, that's me), depois de ouvir aquela mulher a contar o quanto adora carne e não come porque acha que se vai engasgar e morrer... Que Diabo. Há mesmo malucos para tudo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Last but not least

Vi este filme este Junho em Marrocos. E quando acabou, voltei a vê-lo. Talvez nem todas as pessoas o possam apreciar, mas mim, emcantou-me particularmente esta cena. Melodramática de forma tão tarantina... Sexy e mórbida como só ele sabe fazer... Enjoy!

My Passion: Soundtracks!!!

Some more musica from Soundtracks. Moulin Rouge - Roxanne (How sad is this song???), the classic from Morricone and Sergo Leone: Once Uppon a Time in The West. And the beautifull ending from Man on Fire, a film that has poor content but an amazing form, musica included. Hope you all like ;)