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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Os melhores contos do oriente VII


O sol começava a despontar e uma pomba entrou inadvertidamente num templo. Todas as paredes do templo estavam cobertas de espelhos e no centro do santuário, estava uma oferenda: uma bela rosa que se refletia nos espelhos criando milhares de imagens de si própria. A pomba, tomando os reflexos da rosa como a rosa verdadeira começou a lançar-se contra um e outro espelho, chocando violentamente contra estes até que o seu pequeno corpo sucumbiu. Morta, a pomba tombou sobre a rosa. 

Moral da história: Em qualquer ser humano encontra-se o real e o adquirido: o essencial e o aparente. A busca do bem-estar exterior deve ser associada e complementada com a busca do bem-estar interior. Se uma pessoa puser toda sua energia ao serviço da aparência, da imagem e da personalidade, consumirá a sua vida cativa dos refelexos, e de costas viradas para a sua natureza real, ou essência. É preciso aprender a distinguir entre o acessório e o substancial mediante o discernimento correcto, e ir recuperando esse "eu verdadeiro", diferente do "eu social". A rosa do conhecimento desponta dentro de nós mesmos.

Hoje pela primeira vez decidi transcrever em absoluto estas pequenas conclusões que o livro nos dá após o conto. Como sabem selecciono uma página aleatoriamente, mas hoje decidi ir à página 18, pois hoje dia 18, foi o dia em que me auto-propus fazer um detox de redes sociais durante algum tempo (o texto sobre isso está aqui no TWB). A página 18 trazia o primeiro conto deste livro e nem quis acreditar quando vi o conteúdo. É exactamente isto que pretendo com este detox: chegar ao meu eu verdadeiro, diferente do meu eu social. Viver uma vida mais real e essencial e menos de aparência e ego. Os espelhos, quase os compararia à caverna de Platão e às sombras. As redes sociais de alguma forma, fazem-nos viver num mundo de refelexos, muitas vezes pouco fieis ao que se passa cá fora. É no mundo inteligível de Platão que eu quero estar, não no sensível, não no das sombras, reflexos e aparências. Espero conseguir obtê-lo um bocadinho melhor depois de estes dias de entrega à rosa do conhecimento, apenas tenho de descobrir como fazê-lo o melhor possível...



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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Os melhores contos do Oriente VI


Um samurai foi visitar um sábio para lhe pôr uma dúvida que o atormentava: - Senhor, preciso saber se o céu e o inferno existem. 
- Quem pergunta isso? - perguntou o sábio.
- Um guerreiro samurai.
- Tu um samurai, com essa cara de parvo? - exclamou o sábio, continuando: - De certeza que para além de estúpido, és cobarde!
A ira apoderou-se do samurai que instintivamente sacou da sua espada apontando-a ao sábio.
- Agora abrem-se as portas do Inferno! - gritou o sábio.
O guerreiro envergonhado guardou o sabre, ao que o sábio reagiu afirmando:
- Agora abrem-se as portas do paraíso!
O samurai compreendeu então perfeitamente, fez uma reverência e partiu.

Moral da história: A milenar instrução espiritual diz: "O ódio jamais é vencido pelo ódio. O ódio só se extingue com o amor." A violência é sempre violência e gera violência. Temos de transformar as nossas inclinações para a hostilidade em propensões para o afecto e para isso é necessário recorrer à autovigilância, ao auto-domínio, à evolução da compaixão. 
Hoje fala-se de assédio e abuso sexual. Quando somos sujeitos a uma situação de violência, fisica ou psicológica, temos o instinto de agir com mais violência. Ataca quem se sente atacado. No entanto se pelo oposto tivermos compaixão, se o ódio não fizer parte da nossa vida, tudo será mais fácil. O oposto do amor é o medo. Amor cria amor, é a ele que nos devemos ancorar. Perdoar nem sempre é fácil, mas se dentro do nosso coração acalmarmos a chama da ira, teremos sem dúvida mais facilmente a tão desejada paz de espírito que todos queremos. 


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Os melhores contos do Oriente V


Com algumas poupanças, um homem do campo conseguiu adquirir um burro jovem. A pessoa que lhe lho vendeu preveniu-o da quantidade de alimento que o burro precisava, mas o homem considerou-a excessiva e começou gradualmente a retirar comida ao jumento. Uma certa manhã, o homem encontrou o asno morto e lamentou-se: - Que desgraça a minha. Se me tivesse dado mais algum tempo antes de morrer, eu teria conseguido que se habituasse a não comer absolutamente nada.

Moral da história: que avarentos nos tornamos com o esforço que temos de fazer na caminhada para a auto-realização. O esforço é energia e esforço atrai esforço. Não nos devemos acomodar e baixar os braços, e quando acontece nos lamentar das fatalidades sem pensarmos no que poderíamos fazer de diferente. Temos de aprender a incrementar a nossa energia e a não desperdiçá-la com tagarelices mentais, conflitos inúteis e fricções desnecessárias. Hoje todo o país aponta o dedo e lamenta a tragédia por que passamos. Lamentar e apontar o dedo não chega. Há que agir. Não sejamos avarentos com os nossos esforços para tornarmos este mundo melhor. 


 Magritte

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Os melhores contos do Oriente IV


Um homem passou junto de um farol e viu uma mulher com um ar desesperado às voltas à procura de algo. - O que procuras cara mulher? - perguntou.
- Procuro uma agulha que perdi em minha casa, mas como lá não há luz, vim procurá-la junto do farol. - respondeu.

Moral da história: Por muitas dificuldade que a mulher pudesse enfrentar ao procurar a agulha, ela poderia acabar por encontrá-la, algo impossível de acontecer fora da casa. Por vezes, por muita desarrumação e confusão que reinem, é dentro de nós que temos de indagar, percorrendo o caminho até que um dia possámos ver a luz. 
Eu sou o tipo de pessoa que escolhe os caminhos mais fáceis com frequência. Às vezes evito certas questões e mesmo sabendo que não vou lá encontrar a solução, ou a agulha, escapo para sítios mais iluminados, como o farol. Esta semana mostrou-me que há coisas que simplesmente temos de enfrentar. Adiar eternamente os assuntos não os vai tornar mais fáceis, pelo contrário. E no fundo a solução está sempre dentro de nós. Uma das coisas que percebi, é que não preciso de mais nada, do que as ferramentos que já tenho, para fazer o meu caminho. Apenas preciso descobrir como as usar.

13 de Outubro de 2017
Todos os contos AQUI.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Os melhores contos do Oriente III


O terceiro conto desta série (recordo que abro à sorte a página do livro acima e depois escrevo aqui a minha interpretação da história) fala-nos de um jovem erudito e petulante que queria atravessar um rio, apanhando para isso uma barca. Silencioso e submisso, o barqueiro começou a navegar energicamente quando o jovem ao ver passar umas aves lhe perguntou: "Barqueiro, estudaste a vida das aves", ao que o barqueiro respondeu que "não, senhor" e o rapaz disse-lhe "Então perdeste um quarto da tua vida". 
Ao passar por umas plantas exóticas, o rapaz perguntou ao barqueiro se ele tinha estudado botânica, ao que ele respondeu não, e o rapaz retorquiu "então devo dizer que perdeste metade da tua vida". O barqueiro remava e mais uma vez o rapaz investiu: "E as águas, estudaste a natureza das águas?" e perante mais uma resposta negativa, disse-lhe "francamente, perdeste três quartas parte da tua vida". 
Subitamente a barca começa a meter água e a afundar. 
O barqueiro perguntou então ao jovem: - Meu Senhor, sabe nadar?
- Não. - respondeu. 
- Então temo Senhor, - disse-lhe o barqueiro -  que tenha perdido toda a sua vida!

Moral da história, a sabedoria não é apenas aquela que vem nos livros, que se aprende nas escolas. Muita da sabedoria que temos de usar no nosso quotidiano vem da nossa experiência de vida e da nossa intuição. A um intlectual, de nada lhe serve a inteligência se a possuir apenas a ela. Hoje foi um dia em tive de usar do meu instinto (my guts) para resolver uma situação para a qual não fui instruída, apesar de pessoas com conhecimento na matéria insistissem para que eu o fizesse "by the book". Segui o meu coração, o meu instinto, a minha visão de diplomacia, e tudo se resolveu pelo melhor. Conhecimento não ocupa lugar, mas lembrem-se que há muito para além daquilo vem nos livros. O sexto sentido, é um deles, usem-no.

12 de Outubro de 2017

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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Os melhores contos do Oriente II


O conto de hoje dá-nos conta de um primeiro ministro fiel ao seu rei que em tudo tinha uma visão positiva e dizia sempre face a qualquer situação "é por bem". Um dia estava por perto quando o rei por acidente cortou um dos dedos da mão e exclamou "é por bem". O rei enfurecido mandou-o prender ao que ele respondeu "é por bem" novamente. Pouco tempo depois o reino foi conquistado por um reino vizinho e o monarca invasor ordenou que sacrificassem o rei vencido em honra dos deuses. Iam imolá-lo quando descobriram que lhe faltava um dedo logo desistiram do ritual visto que não se pode oferecer aos deuses um corpo imperfeito. Também não podiam sacrificar o primeiro ministro porque não o encontravam. 
Forças leais ao monarca reconquistaram o reino e o monarca chamou o ministro encarcerado e abraçou-o, desculpando-se. Quando pediu que voltasse a ocupar o seu lugar o ministro disse-lhe que a vida era tão incerta e instável que tinha decidido dedicar-se à prática da meditação em exclusivo. "Será por bem". O rei tinha aprendido uma lição.

Moral da história: Eu hoje tinha uma viagem marcada para daqui a algumas horas, por motivos que me são alheios não a poderei realizar. À medida que se aproximam as horas e que se desenvolvem os acontecimentos, vejo que se calhar será até melhor para mim não realizar esta viagem, ainda que signifique algumas perdas. Nunca devemos julgar os acontecimentos no imediato como negativos pois não estamos sempre capacitados da lucidez para prever se os desenvolvimentos serão uma benção ou não nas nossas vidas. Da mesma forma como não devemos julgar as pessoas que nos querendo bem, não se expressam sempre da forma que gostaríamos. O que não vem por benção, vem por lição. 


11 de Outubro de 2017





Os melhores contos do Oriente I


De manhã quando acordo pego neste livro que está ao lado da minha cabeceira e escolho à sorte um conto. Engraçado como são sempre apropriados para que se vai passar no meu dia. Hoje vou para a casa antiga para a última fase de mudanças, que implica deixar muita coisa e deitar fora outras. O conto que me saiu conta a história de um pai perto da morte que quer ensinar aos seus filhos que qualquer apego é mau. Que acorrenta, perturba a mente, envenena o carácter e prejudica as relações humanas. Um filho compreende mas outro nem por isso e rebate que os apegos dependem dos objectos a que nos apegamos. O pai então pega no mais fino fio de seda e começa a enrolar à volta do pescoço do filho até que ele lhe pede que pare pois assim vai matá-lo. Ao que o pai responde: até um fio de seda pode tirar-te a vida, não existem pequenos apegos.
Moral da história: ninguém pode deitar um fio de mel no paladar e não sentir o doce. O que muda é a atitude perante a gota. Podemos nos afeiçoar a ela ou podemos saborear intensamente sem apego nem obsessão.
Um bom desapego a todos que estão nesta difícil tarefa. Lembrem-se do fio de seda e do fio de mel!


10 de Outubro de 2017